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Israel/Racismo

Prefeito de cidade israelense proíbe operários árabes em creches

O prefeito da cidade de Ashkelon, Itamar Shimoni
O prefeito da cidade de Ashkelon, Itamar Shimoni .facebook.com/Ashkelon.mun

Na cidade israelense de Ashkelon, perto da fronteira com a Faixa de Gaza, o prefeito Itamar Shimoni proibiu operários árabes de trabalhar nas construções de abrigos em escolas maternais. Em sua página no Facebook, ele afirmou ter recebido ligações de várias mães preocupadas com seus filhos, depois de ver "indivíduos suspeitos circulando perto das creches". Shimoni teme ataques terroristas. Assim que anunciada, a determinação causou uma onda de indignação na esquerda israelense, que a classificou de ilegal e racista.

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Com informações de Richard Furst, especial para RFI Brasil

A decisão afeta principalmente os palestinos. Centenas deles, munidos de permissões de trabalho, entram em Israel todos os dias para trabalhar na construção civil. Mas, acima de tudo, a proibição ilustra o quanto se deterioraram as relações entre israelenses e palestinos que vivem ou trabalham em Israel, em meio à violência que varre Jerusalém diariamente e ecoa em outras partes do país.

No comunicado, Shimoni explica ainda que "embora o envio de guardas seja de responsabilidade do ministério do Interior, decidi colocar homens armados a partir de quinta próximos de todas as escolas maternais próximas de canteiros que empregam trabalhadores árabes". Estes guardas serão financiados por um doador privado, explicou o prefeito da cidade de 110 mil habitantes no sul do país.

O deputado árabe israelense Ahmed Tibi classificou a decisão de preconceituosa e ilegal. "Como sempre, as considerações sobre segurança servem de disfarce para o racismo". Representantes do partido de esquerda Meretz pediram que Shimoni volte atrás e mesmo o ministro do Interior, Gilad Erdan, do partido nacionalista Likud, condenou a medida. "Compreendo a preocupação dos cidadãos diante da atual onda de terrorismo, mas isso não pode respingar sobre parcelas inteiras da população", declarou à rádio pública.

Tensão por toda a cidade

Essa preocupação é palpável por toda a cidade de Jerusalém. Guardas estão em creches e a polícia quer instalar novos postos de controle em diferentes regiões da Cidade Sagrada, enquanto alguns seguranças se trancam dentro de prédios públicos e templos. Nesta quarta-feira (20), o primeiro ministro israelense, Benjamin Netanyahu, inaugurou uma nova central integrada de segurança para Jerusalém, que contará com balões com câmeras sobrevoando a cidade.

Com as estritas medidas de segurança, os atentados com bombas e outros explosivos deram lugar a ações como esfaqueamentos e atropelamentos em pontos de ônibus. Assim, as famílias têm optado por permanecer em casa, evitar aglomerações em locais públicos ou impor toques de recolher aos filhos.

Apesar disso, o pastor brasileiro Alexandre Bernardino, que visita Jerusalém pela terceira vez, não percebe grande diferença em relação às últimas vezes em que esteve na cidade. Dentro dos muros da cidade antiga, ele reparou, por exemplo, que o típico comércio árabe está fechado. Mas, antes, não era mais tranquilo: "Da primeira vez que vim, entramos em um bairro judeu, pensaram que eu era árabe e fui apedrejado, literalmente", conta.

Colonização avança

Nesta quarta-feira, Israel anunciou que construirá 78 novas casas em dois bairros de Jerusalém oriental, a parte palestina ocupada e anexada. A decisão veio no mesmo dia em que o exército israelense começou a derrubar a casa do jovem palestino que jogou seu carro contra uma estação de trem, matando um bebê israelense de três meses e uma mulher equatoriana. Ele foi abatido logo depois pela polícia.

Além de sua casa, foi ordenada a destruição de duas outras, onde viviam os rapazes que atacaram uma sinagoga ultraordoxa na parte ocidental na terça-feira, matando quatro fiéis e um policial e ferindo outras sete pessoas. Udai e Ghassan Abu Jamal, que usaram revólveres e machados no atentado, foram abatidos pela polícia.

As ordens de demolição emitidas pelo premiê Benjamin Netanyahu causaram revolta na comunidade palestina. Dezenas de crianças e jovens saíram às ruas, queimaram pneus e bloquearam a entrada do bairro árabe de Shuafat. Aos gritos de "a Intifada já começou!", eles lançaram pedras contra o posto de controle da polícia.

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