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Turquia/Papa

Papa reza na Mesquita Azul de Istambul ao lado de líder muçulmano

O papa Francisco visita a Mesquita Azul de Istambul, neste sábado (29), ao lado do líder religioso muçulmano Rahmi Yaran (à direita).
O papa Francisco visita a Mesquita Azul de Istambul, neste sábado (29), ao lado do líder religioso muçulmano Rahmi Yaran (à direita). REUTERS/Tony Gentile

Em seu segundo dia de visita à Turquia, o papa Francisco rezou neste sábado (29) na Mesquita Azul, de Istambul, ao lado do mais alto representante dos muçulmanos turcos, o Grande Mufti Rahmi Yaran. O chefe da Igreja Católica retirou seus sapatos ao entrar no enorme edifício, antes de abaixar a cabeça e orar em silêncio, por vários minutos, virado para Meca, como fazem os muçulmanos.

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O antecessor de Francisco, Bento 16, tinha feito o mesmo gesto quando visitou a Turquia, em 2006. Mas na época, o papa alemão atraiu críticas de católicos conservadores e de alguns muçulmanos. O Vaticano definiu a oração deste sábado como um "momento de adoração silenciosa".

Depois de visitar a Mesquita Azul, Francisco foi para a basílica vizinha de Santa Sofia, hoje transformada em museu. Centenas de pessoas, a maioria turistas, acompanharam a passagem do papa, atrás de barreiras de segurança erguidas pela polícia.

Crianças em idade escolar com bandeiras da Turquia e do Vaticano gritaram "Viva o Papa Francisco" em italiano, no mesmo momento em que o minarete da praça Ahmet chamava os muçulmanos para a oração.

O jovem turco Halil Ibrahim Cil, 24, empregado de um hospital de Istambul, acompanhou a visita do papa à Mesquita Azul, nesta manhã. Ele disse à agência AFP considerar importante "o respeito recíproco entre as crenças". Cil, que é muçulmano, espera que a visita do papa contribua para isso. "Queremos praticar nossa religião em paz. Queremos que as pessoas compreendam o islamismo. Nós não queremos guerra", acrescentou.

Tolerância contra fundamentalismo religioso

Ontem, durante sua passagem em Ancara, o papa Francisco exortou a Turquia e o Oriente Médio a participar de um “diálogo intercultural e inter-religioso” para “acabar com todas as formas de fundamentalismo e terrorismo” que abalam o Oriente Médio, em especial no Iraque e na Síria.. Fazendo alusão à organização extremista Estado Islâmico, mas sem citá-la, Francisco desejou que “a solidariedade de todos os fiéis possa inverter a tendência de uma violência terrorista que não tende a se apaziguar”.

O papa também apontou os problemas de liberdade religiosa na Turquia, em especial as perseguições às minorias cristãs. “É fundamental que cidadãos muçulmanos, judeus e cristãos gozem dos mesmos direitos e respeitem os mesmos deveres, tanto nas leis quanto na aplicação efetiva delas”, destacou. Para o pontífice, a Turquia deveria “ser um exemplo” e favorecer “o encontro de civilizações” – para ele, o país é “um ponto natural entre dois continentes e expressões culturais diversas”.Já o presidente da Turquia, o conservador islâmico Recep Tayyip Erdogan, demonstrou preocupação com o aumento da “islamofobia” no mundo. Ontem, depois de se encontrar com o papa, o chefe de Estado pediu que cristãos e muçulmanos se unam para lutar contra o preconceito.

 

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