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Afeganistão/atentados

Ato no Afeganistão homenageia irmãos jihadistas franceses

Cherif e Said Kouachi, irmãos autores do atentado ao jornal Charlie Hebdo.
Cherif e Said Kouachi, irmãos autores do atentado ao jornal Charlie Hebdo. securité.interieur.gouv.fr

Centenas de afegãos se reuniram na província de Uruzgan, sul do país, neste sábado (10), para homenagear os irmãos Cherif e Said Kouachi, considerados como “heróis” por terem matado 12 pessoas no atentado contra o jornal satírico Charlie Hebdo. A manifestação também criticou o presidente afegão, Ashraf Ghani, que condenou o ataque em Paris.

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Segundo a polícia local, a manifestação aconteceu após as orações da sexta feira, em uma mesquita do distrito de Chora. “Os participantes chamavam os agressores de heróis e gritavam que aqueles que brincaram com o profeta foram punidos”, conta um policial. Para a maioria dos muçulmanos, a representação de Maomé é uma blasfêmia.

Charlie Hebdo provocou muitos protestos no mundo mulçumano a partir de fevereiro de 2006, com a publicação de caricaturas do profeta Maomé do jornal dinamarquês Jyllands-Posten. Em dezembro 2011, a sede de Charlie Hebdo foi destruída por um incêndio criminoso, que até hoje não foi solucionado, no mesmo dia da edição batizada de “Charia Hebdo”, com uma caricatura do profeta na capa.

A sociedade afegã continua profundamente conservadora do ponto de vista religioso, mais de 13 anos após o fim do regime fundamentalista talibã, derrubado por forças internacionais lideradas pelos Estados Unidos.

Ameaças de novos ataques

Em um vídeo divulgado na sexta-feira (9), um representante da rede Al-Qaida na península arábica (Aqpa), Harith al-Nadhari, ameaçou a França com novos ataques. “Vocês não estarão em segurança enquanto atacarem Alá, seu messageiro e os fiéis”, advertiu. O mais velho dos irmãos Kouachi, Cherif, recebeu treinamento da rede Al-Qaida no Iêmen. Já o mais novo, Said, estava envolvido em uma filial de recrutamento de jihadistas para o Iraque.

Hamas condena atentados

Já o movimento islâmico palestino Hamas condenou o atentado feito pelos irmãos jihadistas. Em comunicado, o grupo declarou que “condena as agressões contra a revista Charlie Hebdo, reafirmando o fato de que a diferença de opiniões não justifica a morte”.

O movimento respondeu também às acusações do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que recentemente afirmou que a França, Israel e os “países civilizados” enfrentam as mesmas ameaças. “Esses terroristas matam jornalistas na França e lançam bombas de Gaza contra civis”, disse. “O Hamas condena as tentativas desesperadas do primeiro-ministro Netanyahu de tentar aliar o nosso movimento e a resistência de nosso povo ao terrorismo”, diz o comunicado do movimento palestino.

Há alguns meses Netanyahu tem associado o Hamas aos movimentos jihadistas mais radicais, como o grupo Estado Islâmico, que opera no Iraque e na Síria.
 

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