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Sobrevivente relata noite de horror após naufrágio no rio Yangtsé

Marinheiro regastado do navio que afundou no rio Yangtse é encaminhado a um hospital em Jingzhou, na província de Hubei, China, 2 de junho de 2015.
Marinheiro regastado do navio que afundou no rio Yangtse é encaminhado a um hospital em Jingzhou, na província de Hubei, China, 2 de junho de 2015. REUTERS/Stringer CHINA OUT

O guia turístico Zhang Hui, um dos poucos sobreviventes do navio chinês que naufragou na segunda-feira (1) no rio Yangtsé, com 458 pessoas a bordo, relatou a noite de pesadelo que viveu até alcançar a margem do rio.

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Zhang, de 43 anos, que supervisionava um grupo de turistas no cruzeiro que zarpou de Nankin (leste da China) com destino a Chongqing (centro), disse que pouco depois de 21h no horário local, o vento e a chuva se intensificaram sobre a embarcação. A escuridão era entrecortada pelos clarões de trovões que agitavam as nuvens do céu carregado e as águas do rio, provocando um incessante movimento de ondas. Segundo relatou à agência oficial Xinhua, "as gotas de chuva martelavam o casco direito do navio e a água começou a entrar em muitos quartos, mesmo com as janelas fechadas", disse o sobrevivente.

Às 21h20, muitos passageiros idosos precisaram deixar suas cabines inundadas, carregando cobertores encharcados para o salão de recepção. Poucos minutos depois, enquanto Zhang Hui retornava para sua cabine no segundo andar, o navio "inclinou subitamente em 45°". Em seguida, começou a afundar.

Não houve alerta aos passageiros

De acordo com a agência estatal Xinhua, o testemunho de Zhang não mencionou nenhum aviso oficial ou ordem de evacuação por parte da tripulação aos passageiros. O capitão do Dongfangzhixing, que também está entre os sobreviventes, contou às autoridades que o navio afundou em menos de um minuto. "Foi impressionante", lembra Zhang. Ele e um colega tiveram tempo apenas para vestir coletes salva-vidas e pular da janela mais próxima, mergulhando nas águas turbulentas do Yangtsé.

Zhang Hui diz ter distinguido "uma dúzia de pessoas na superfície, algumas pedindo ajuda e gritando". Depois de cinco minutos, apenas três ou quatro vozes continuavam a ser ouvidas.

Como a maioria dos chineses, o guia não sabe nadar. Envolto em um colete salva-vidas, ele flutuou à deriva a maior parte da noite. "Engoli litros de água." Navios passavam sem reparar nos sobreviventes, enquanto as rajadas de vento e chuva o aterrorizavam.

"Disse a mim mesmo: preciso aguentar", revelou Zhang, que assegura ter alcançado a costa apenas nas primeiras horas de terça-feira, por volta das 6h. Ele faz parte do pequeno número de 18 sobreviventes da catástrofe.

Na noite dessa terça-feira (2), quase 440 pessoas continuavam desaparecidas. Esta pode ser a pior catástrofe fluvial na China em décadas.

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