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França

"Guerra suína" entre industriais e criadores franceses

Os criadores de porco têm dificuldades em lidar com a concurrência europeia
Os criadores de porco têm dificuldades em lidar com a concurrência europeia AFP FOTOS PIERRE ANDRIEU

Os criadores de porcos estão descontentes com a quebra dos preços no mercado francês ao passo que os industriais boicotam do lado da procura. Esta "crise suína" volta a revelar as dificuldades que a agropecuária está a viver em França.

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Os criadores e os industriais têm travado um braço-de-ferro que levou à suspensão, durante uma semana, da cotação do quilo de porco no mercado especializado de Plérin cujo preço médio serve de referência em França.

Esta terça-feira, as trocas voltaram a ter lugar levando a uma queda de 1,5 cêntimos de euro. O quilo está agora a 1,389 €, nível inferior aos 1,4 € acordados em junho pelos industriais, a grande distribuição e os sindicatos agrícolas. Este limiar representava a sustentabilidade económica das explorações agropecuárias sendo que os criadores alegam que perdem dinheiro se o preço for inferior.

Os representantes dos criadores de suínos manifestaram o seu descontentamento. "Todos ficaram decepcionados ao ver os preços baixarem" afirmou Paul Auffray, o presidente da Federação Nacional Suína, quastionando "se alguns actores não estarão a privilegiar o agravamento da situação para ver os preços baixarem naturalmente semana após semana".

É que os dois principais industriais e compradores do sector, Cooperl e Bigard, que garantem em média 30 % da procura, não participaram na cotação desta terça-feira. O resultado da fraca procura consequente foi, pois, a quebra do preços dado que não houve comprador para mais de 15700 porcos.

Julgando o preço de 1,40 € definido em junho é insuportável face à concurrência estrangeira, as duas empresas boicotaram as sessões da semana passada e não participaram na reunião desta segunda-feira, entre industriais e o governo, no ministério francês da Agricultura.

No que toca aos factores que têm levado a esta crise, Manuel Jorge, jurista angolano radicado em França, lembra o impacto que o boicote francês e europeu à Rússia - devido à crise ucraniana - está a ter no sector agrícola em França dado que Moscovo respondeu com um embargo aos produtos agro-alimentares europeus.

O sindicato nacional das indústrias de carne (SNIV) veio esta terça-feira deplorar a ausência de uma resposta à falta de competitividade da indústria suína francesa e denunciar o funcionamento "obsoleto" do mercado de Plérin.

Os industriais congregados no SNIV consideram que a intervenção política nas cotações do mercado não resolve o problema e defende "o apoio à competitividade dos matadouros através da redução excepcional das contribuições sociais" do sector apontando para a forte concorrência europeia.

Entretanto, a próxima cotação em Plérin terá lugar esta quinta-feira.
 

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