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Colômbia

Colômbia: Acordo de paz entre Governo e FARC

O presidente colombiano, Juan Manuel Santos (direita), e o líder das FARC, Rodrigo Londoño (esquerda), em Havana, Cuba
O presidente colombiano, Juan Manuel Santos (direita), e o líder das FARC, Rodrigo Londoño (esquerda), em Havana, Cuba REUTERS/Alexandre Meneghini

A Colômbia pode alcançar a paz dentro de seis meses. Foi o que anunciou em Cuba, o presidente colombiano Juan Manuel Santos. Após três anos de negociações com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), as duas partes chegaram a um acordo sobre o futuro judicial dos guerilheiros e o fim do conflito parece estar cada vez mais próximo.

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A guerilha tinha anunciado avanços nas negociações para a paz. Esta quarta-feira 23 de Setembro, tudo se acelerou: o chefe de Estado colombiano, Juan Manuel Santos, deslocou-se até Havana, em Cuba, com várias personalidades políticas. Poucas horas depois, o presidente surpreendeu tudo e todos com as seguintes declarações: «O chefe do secretariado das FARC e eu estamos de acordo: as negociações têm que terminar e o acordo final vai ser assinado dentro de seis meses. E não é qualquer acordo. É o fim de uma guerra que dura há 60 anos, a mais longa no nosso continente, a única no nosso continente. »

Este anúncio acontece em circunstâncias excepcionais: pela primeira vez, o presidente colombiano encontrou-se com o chefe da guerilha das FARC, Rodrigo Londoño, conhecido também por Timoleón Jiménez e por Timochenko. Os dois homens apresentaram um texto que define uma postura inédita no conflito colombiano. Um tribunal vai ser criado, as sancções vão ir de cinco a oito anos no máximo para aqueles que reconhecem os seus "erros". Em contrapartida, até 20 anos de prisão para aqueles que recusam admitir os "erros". Os casos mais graves (desaparecimentos, raptos, tortura, abusos sexuais) não poderão beneficiar de amnistia.

Este regime judiciário não será apenas aplicado à guerilha, mas sim a todos aqueles que participaram directamente ou indirectamente: militares, empresários e políticos. Este acordo específico era o quinto e último ponto sobre o qual as duas partes deviam entender-se, aliás era talvez o mais complicado. As negociações de paz entram na fase final.

Reacções

Não tardaram as reacções. O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, e o presidente cubano, Raúl Castro, saudaram o acordo.

Quanto ao antigo presidente colombiano, Álvaro Uribe, não partilha o mesmo entusiasmo. O ex-presidente afirmou que o acordo anunciado entre o Governo e os guerrilheiros coloca em pé de igualdade «a sociedade civil e o terrorismo».

Cristina Matias, artista plástica a residir em Bogotá há 30 anos, dá-nos conta do sentimento geral face ao acordo prometido e considera que se trata de "um grande passo para a Colômbia".

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