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Mundo

Atentados em Paris : "Foi tudo muito rápido, um pânico completo"

Margarida Sousa, porteira portuguesa em Paris
Margarida Sousa, porteira portuguesa em Paris RFI

Margarida Sousa é porteira há 24 anos em Paris, vive na alameda Richard-Lenoir que se situa a pouco mais de cem metros da sala de espectáculo Le Bataclan que foi, ontem à noite, palco de um dos ataques terroristas à capital francesa.

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Margarida Sousa estava ao telefone com a filha quando se apercebeu que se dirigiam muitas pessoas ao prédio no qual reside; "foi uma vizinha do quatro andar que viu o pânico na rua e desceu para ver o que estava a acontecer, foi nesse momento que as pessoas começaram todas a entrar no prédio muito aflitas".

A porteira portuguesa ainda não tinha percebido o que estava a acontecer, mas rapidamente percebeu que tinha havido um tiroteio no Bataclan ao ver pessoas feridas, cobertas de sangue, "uma jovem que foi atingida no peito e outra jovem, que entrou em minha casa, tinha duas balas nas costas e um buraco enorme. Eram por volta de 40 pessoas".

"Foi tudo muito agitado, muito rápido, um pânico completo porque não realizávamos muito bem o que estava a acontecer. As vítimas pediam para se esconder, para fechar as portas e apagar as luzes. Começámos a reagir, recebi em casa as pessoas que podia e ajudei-as no que foi possível; com compressas para parar o sangue, eram jovens entre 18 a 35 anos. Fui buscar panos, toalhas para ajudar todas as pessoas que estavam nos corredores", descreve Margarida Sousa.

 "De alguma forma ajudei a salvar algumas vidas auxiliando os que precisavam de ajuda. Falei com outra jovem que estava sempre aos saltos e que repetia - passei por cima de corpos mortos." refere a porteira portuguesa que, sem ter dormido esta noite, nos descreve a madrugada que viveu na alameda Richard-Lenoir.

Centenas de pessoas estavam a assistir ao concerto de "Eagles of Death Metal", muitas delas conseguiram fugir, mas os atacantes fizeram reféns. Situação que terminou quando agentes especiais da polícia francesa entraram no edifício - momento em que dois kamikazes se fazem explodir, por volta da meia-noite descreve Margarida Sousa.

"De repente os espectadores viram os músicos a fugir do palco e começaram a ouvir-se tiros. A jovem contou-me que disse - tenho de fugir - e só tentava procurar a porta. Quando a polícia deu o assalto no Le Bataclan foi horrível e até parecia um fogo-de-artifício." Quanto às autoridades policiais, foram muito "correctos" e estiveram "presente" com quatro polícias à entrada do prédio que ontem acolheu cerca de 40 feridos.

"Foi uma noite horrível sobretudo a partir do momento em que me dei conta do que estava a passar. Passaram poucas horas, ainda não consegui dormir e tenho impressão que o mais difícil foi quando toda a gente foi embora e me encontrei com o corredor cheio de sangue e limpa aquilo que aqui se passou", afirmou Margarida Sousa.
 

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