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CRISTIANISMO/CUBA

Encontro histórico em Cuba entre cristãos desavindos

O Papa François e o Patriarca Kirill (à esquerda) encontram-se no Aeroporto cubano da Havana.
O Papa François e o Patriarca Kirill (à esquerda) encontram-se no Aeroporto cubano da Havana. REUTERS/Montage RFI

O Papa Francisco e o Patriarca ortodoxo russo Kirill entram para a história ao protagonizarem nesta sexta-feira um encontro no Aeroporto da capital cubana. O cisma de 1054 dividiu os cristãos do Oriente e do Ocidente. A perseguição contra os mesmos no Médio Oriente poderá ter sido determinante nesta aproximação.

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O encontro da Havana, testemunhado pelo presidente cubano, Raul Castro, deve permitir uma declaração comum sobre as perseguições contra os cristãos, sem distinção de confissão, no Médio Oriente e a defesa dos valores cristãos no mundo.

Foram vários os papas a procurar uma aproximação com o mundo ortodoxo, sem sucesso.

Os ortodoxos, muito reservados quanto à figura do chefe dos católicos, teriam frequentemente descartado qualquer encontro com o Sumo Pontífice.

Tanto mais que os católicos são tidos como querendo fazer proselitismo em detrimento dos ortodoxos. O complicado xadrez ucraniano onde os greco-católicos tomaram o partido de Kiev contra Moscovo vieram alimentar mais rancores.

O Patriarca Kirill é tido como muito próximo do Kremlin e do presidente russo, Vladimir Putin.

Analistas do Vaticano referem que o actual cenário geopolítico mundial onde Moscovo pretende com Washington desempenhar um papel activo na estabilização da Síria e no erradicar do terrorismo jihadista podem ter sido fundamentais nesta aproximação.

Uma posição descartada, porém, por um porta-voz do Patriarcado, Alexandre Volkov, para o qual este encontro nada tem a ver com política.

Este encontro tem lugar antes do arranque da visita papal de uma semana ao México, tido como o segundo país católico do mundo.

O padre José Imá, da diocese cabo-verdiana de Santiago,realça a importância deste encontro ocorrer na primeira sexta-feira da Quaresma, "que é um camiho de conversão rumo a uma Páscoa da libertação".

O facto de "estes dois responsáveis se encontrarem em Cuba com todas as circunstâncias históricas que Cuba está a viver tem um significado histórico". Tal é providencial, damos graças a Deus !".

O "ecumenismo de sangue" de que fala o Papa, a perseguição contra os cristãos em certas regiões do mundo, terá mil anos depois do cisma possibilitado a reaproximação das duas igrejas.

O padre José Imá, da diocese cabo-verdiana de Santiago, analisa a desconfiança que se instalou entre cristãos do ocidente e do oriente no último milénio.

 

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