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União Europeia

Brexit: União Europeia fixa os seus limites

O presidente francês, François Hollande, no final da cimeira da UE a 29 de Junho.
O presidente francês, François Hollande, no final da cimeira da UE a 29 de Junho. REUTERS/Pascal Rossignol

Depois da cimeira ontem ainda a 28 com o primeiro-ministro britânico David Cameron, hoje os líderes europeus reuniram-se já a 27 no intuito de esboçar as linhas gerais do pós-Brexit, remetendo a continuação das discussões a uma próxima cimeira em meados de Setembro em Bratislava, capital da Eslováquia, país que assume a presidência rotativa da UE a partir de sexta-feira.

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Quase uma semana depois de cerca de 52% dos britânicos decidirem optarem pela saída da União Europeia, os dirigentes do bloco enunciaram as suas regras, a primeira sendo de o Reino Unido ter necessariamente que activar a clausula de saída da UE, o artigo 50 do Tratado de Lisboa, para encaminhar "o mais rapidamente possível este processo".

Ontem à noite, o chefe do governo Britânico referiu que o seu país "não poderia voltar totalmente as costas à União Europeia" mas referiu também que "uma reforma da livre circulação das pessoas" no seio da UE constituía um "ponto-chave para permanecer próximo" da união. Em jeito de resposta, o Presidente francês François Hollande excluiu uma nova negociação sobre o tratado nesta matéria concluído em 2003, o Tratado do Touquet, que visa conter a imigração clandestina rumo ao Reino Unido, estabelecendo nomeadamente os controlos em Calais, em território francês.

Por outro lado, "não haverá mercado único personalizado" declarou o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, referindo-se a eventuais veleidades do Reino Unido restringir a liberdade de circulação das pessoas. "Os europeus não vão tolerar nenhuma excepção a esta regra" insistiu por sua vez Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, enquanto o presidente francês insistiu sobre a necessidade do Reino Unido "contribuir financeiramente" em troca de um acesso ao mercado europeu.

É por conseguinte num ambiente crispado que se encaminha o divórcio entre a União Europeia e a Grã-Bretanha, um processo que deveria ser conduzido do lado Britânico pelo sucessor de David Cameron que permanece no cargo de primeiro-ministro até ao 9 de Setembro. A corrida para a sua sucessão está aberta, as candidaturas devendo chegar até amanhã à tarde. Para já, o ex-Mayor de Londres, Boris Johnson, apoiante do "Brexit" e a actual ministra do interior, Theresa May, eurocéptica mas apoiante do "Remain", colocaram-se na corrida.

Do lado dos trabalhistas, a posição de Jeremy Corbyn, líder do Labour, parece cada vez mais dificilmente sustentável. Apesar de ele continuar a excluir a hipótese de uma demissão, 81% dos seus deputados lhe retiraram a sua confiança, responsabilizando a sua campanha pelo fracasso do "Remain". O próprio primeiro-ministro David Cameron apelou-o à demissão "em nome do interesse nacional".

Entretanto, fica também por resolver a posição da Escócia neste complexo xadrez. Logo após a vitória do "Brexit", Nicola Sturgeon, primeira-ministra da Escócia, região que votou maioritariamente a favor da permanência do Reino Unido na União, colocou na agenda um novo voto sobre a independência da Escócia de modo a permanecer no seio da União Europeia. Presente hoje à margem da cimeira dos 27 precisamente para defender esta ideia, Nicola Sturgeon avistou-se designadamente com os presidentes da Comissão Europeia e do Parlamento Europeu. Ao cabo destes encontros, a chefe do governo da Escócia declarou-se "encorajada" mas admitiu que não haveria "via fácil" para a Escócia durante o período pós-Brexit.
 

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