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Rússia/Turquia

Rússia e Turquia reconciliadas

Presidente turco Recep Tayep Erdogan e Presidente russo Vladimir Putin a 9 de Agosto 2016 em São Petersburgo.
Presidente turco Recep Tayep Erdogan e Presidente russo Vladimir Putin a 9 de Agosto 2016 em São Petersburgo. REUTERS/Sergei Karpukhin

 Primeira visita à Rússia do Presidente Recep Tayyip Erdogan depois das sanções económicas decretadas na sequência do abate de um avião caça russo em Novembro de 2015.

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Vladimir Putin e o seu homólogo turco Recep Tayyip Erdogan avistaram-se em São Petersburgo esta terça-feira (9/08) pela primeira vez desde a crise diplomática desencadeada pelo abate de um avião russo em território turco em Novembro de 2015.

Em finais de Junho e depois de o Presidente turco ter pedido desculpas formais ao seu homólogo russo, este telefonou-lhe e a partir de então temos assistido ao levantamento progressivo das sanções contra a Turquia, que segundo o Kremlin causaram uma queda de 43% nas trocas comerciais só entre Janeiro e Maio e afastaram do país 93% dos turistas russos. 

Mais recentemente e após o golpe de estado militar falhado contra Erdogan no passado dia 15 de Julho, Putin foi segundo Ankara o primeiro chefe de Estado a telefonar-lhe para desejar "um regresso rápido à estabilidade".

A Turquia é um elemento-chave na estratégia da NATO e com as acerbas críticas vindas dos Estados Unidos e da União Europeia na sequência da terrível onda de repressão e purgas que sucedeu ao golpe de estado, ambos os países têm interesse em aproximar-se.

Para além das relações bilaterais russo-turcas, no encontro de hoje que segundo Erdogan visa criar "uma nova etapa, a partir do zero", vai sem dúvida ser abordada a guerra civil na Síria, podendo mesmo haver um "acordo tácito entre a Turquia e a Rússia sobre a Síria em termos de uma intervenção futura...presença mais musculada e eficaz na zona fronteiriça com a Síria".

Tal é o que considera o investigador português Ivo Sobral, especialista em relações internacionais, que começa por referir que "existem semelhanças óbvias entre os dois líderes...noção de poder musculado...perpetuação do seu próprio poder sobre os seus próprios países...dimensão imperial...mas são dois jogadores imprevisíveis".

Para este especialista um "novo xadrez no Médio Oriente" poderá vir a desenhar-se no futuro, dada a relevância do "eixo Moscovo-Damasco-Teerão" mas neste momento "[como que] uma guerra-fria entre a Europa, o Ocidente  e a Turquia...que é uma peça-chave na NATO e pode estar a tentar sublinhar a sua enorme importância para o Ocidente na zona". 

Ivo Sobral aborda ainda a questão dos refugiados e a pressão exercida pela Turquia, que exige que os seus cidadãos sejam isentos de visto para viajar no espaço europeu, ameaçando romper o acordo concluído com a União Europeia.

 

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