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TURQUIA

Turquia: o cerco aperta-se aos meios curdos

Os dois líderes do HDP, Selahattin Demirtas (esq.) e Figen Yuksekdag (dir.) foram detidos a 5 de Novembro.
Os dois líderes do HDP, Selahattin Demirtas (esq.) e Figen Yuksekdag (dir.) foram detidos a 5 de Novembro. REUTERS/Murad Sezer

Pelo menos 12 deputados do partido curdo (HDP, Partido Democrático dos Povos), incluindo os co-líderes Selahattin Demirtaş e Figen Yüksekdağ, foram detidos esta madrugada na Turquia, acusados de “propaganda e militância numa organização terrorista armada”. Um dos detidos já foi entretanto libertado, mas os outros deverão ver confirmada a prisão efectiva.

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O governo justificou as detenções porque os deputados em questão recusaram testemunhar numa investigação sobre propaganda terrorista, iniciada em Dezembro passado, quando participaram num comício pró-curdo que juntou algumas figuras próximas dos separatistas curdos do PKK, que levam a cabo ações armadas contra o Estado turco.

O HDP, que conseguiu 59 deputados nas últimas eleições, é a voz política e legítima dos curdos na Turquia. O Parlamento turco tinha aprovado em Maio passado o levantamento da imunidade parlamentar a dezenas de deputados, a maioria do HDP, que abriu caminho para as detenções agora verificadas.

“A política não deve ser um escudo para cometer crimes. Se o HDP favorece o terrorismo, então tem de pagar um preço”, comentou hoje o primeiro-ministro turco Binali Yildirim.

Mas os últimos acontecimentos fazem a Turquia regresssar aos sangrentos anos 90, quando os partidos curdos eram sistematicamente ilegalizados, e os seus políticos encarcerados.

Nas últimas duas décadas do século passado o conflito entre o exército turco e o PKK causou mais de 30,000 mortos.

Estas detenções ocorrem no fim de uma semana negra para a democracia turca – no início da semana vários jornalistas do diário Cumhuriyet - o principal orgão de comunicação social do centro-esquerda republicana e laica na Turquia – tinham sido também detidos.

As reacções não se fizeram esperar – a responsável máxima dos negócios estrangeiros da UE, Federica Mogherini, disse estar “extremamente preocupada” com as detenções dos politicos curdos, enquanto vários Governos europeus decidiram convocar os embaixadores turcos para pedir explicações.

Na Turquia, um carro armadilhado, conduzido por um alegado bomista suicida do PKK, explodiu junto a um edifício da polícia em Diyarbakir, a principal cidade curda do leste do país, matando pelo menos 9 pessoas, enquanto em Ancara a polícia dispersou uma manifestação de protesto contra as últimas detenções.

As autoridades turcas limitaram também a internet, e as redes sociais, ao longo de todo o dia, por motivos de segurança.
 

Com a colaboração de José Pedro Tavares, correspondente em Ancara

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