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Política/Síria

Alto Comissário da ONU para Refugiados: na Síria a prioridade é paz

Filippo Grandi, Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados durante uma conferência de imprensa em Aman.24 de Outubro de 2016.
Filippo Grandi, Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados durante uma conferência de imprensa em Aman.24 de Outubro de 2016. REUTERS/Muhammad Hamed

Filippo Grandi, alto comissário da ONU para os refugiados, acaba de se deslocar a Alepo, na Síria. Em declarações à rádio MCD ele aborda o plano de reconstrução da segunda cidade do país.Grandi sublinhou após a sua visita à Alepo-este que a urgência é restabelecer definitivamente a paz,para que sejam criadas as condições de um retorno dos refugiados sírios, designadamente através de um programa de reconstrução integral daquela que era antes do conflito,a segunda cidade mais importante da Síria.

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Os rebeldes sírios que lutavam contra o executivo liderado pelo Presidente Bashar al-Assad, foram constrangidos a abandonar em fins de 2016 o seu bastião de Alepo-este frente a ofensiva das tropas governamentais, apoiadas pela força aérea russa e demais aliados.

Contudo os combates entre os militares sírios e os opositores armados às autoridades de Damasco, prosseguem noutras zonas da estratégica região de Alepo. Na quinta-feira, o Exército sírio anunciou ter retomado aos jiadistas do grupo Estado Islâmico o controlo de mais trinta localidades e aldeias situadas na zona setentrional da província de Alepo.

 Depois de ter reconquistado no dia 22 de Dezembro de 2016 a integralidade da cidade de Alepo, segunda cidade da Síria, as forças governamentais sírias e os seus aliados intensificaram as operações contra os da província controlados pelo Daech.

Num comunicado que foi divulgado na quinta-feira pela agência noticiosa oficial Sana,o Exército sírio informa que a ofensiva lançada há 20 dias resultou na retoma do controlo de uma superfície territorial de 250 kms quadrados, na qual estão incluídos 16 kms da auto-estrada que liga Alepo à Al-Bab, 25 kms na fronteira entre a Síria e a Turquia.

Os dirigentes sírios denunciaram junto da ONU, a presença de tropas turcas na região de Al-Bab. A Turquia lançou em Agosto de 2016 uma ofensiva, segundo o seu governo, visando neutralizar os jiadistas operando na sua fronteira. Damasco considerou a incursão turca uma violação flagrante da sua soberania territorial.

O conflito sírio com as suas facetas múltiplas,entre as quais a presença de forças estrangeiras, caracteriza-se por milhões de refugiados e uma paz que ainda está por ser concluída. Filippo Grandi, Alto Comissário das NaçõesUnidas para os Refugiados que visitou Alepo-este revelou a sua incredulidade perante a destruição provocada pela guerra civil síria, bem como sublinhou que a prioridade é o restabelecimento da paz.

 

  "Eu acabei de visitar Alepo-este e não imaginava a dimensão e a gravidade da destruição que vi. A integralidade de zonas desta grande cidade está em ruínas. A urgência é reconstruir totalmente Alepo-este. Para mim o mais importante é o facto de que a paz ainda não existe aqui, não há uma conclusão política do conflito. Os antecedentes no respeitante às zonas de segurança, não são positivos. Recordemos Sebrenica, na Bósnia que foi declarada "zona de segurança", mas onde milhares de pessoas foram mortas .

Em vez de encarar a criação de zonas de segurança, que provávelmente nunca serão seguras, o melhor será envidar esforços para restabelecer a paz e em seguida iniciar a reconstrução de forma a criar as condições, para que os refugiados voltem à sua terra. Essa é a minha convicção."(Filippo Grandi)

Mais de 310.000 pessoas morreram durante o conflito sírio, que em seis anos provocou vários milhões de refugiados e de deslocados.

A Rússia ,apoiante do governo de Bashar al-Assad, associado ao Irão e à Turquia tentam relançar o processo de paz, agora sem a participação das potências ocidentais.

     

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