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COLÔMBIA

Colômbia alcança cessar fogo com o ELN

Yerson, comandante do Exército de libertação nacional, na selva do noroeste da Colômbia, a 30 de Agosto de 2017.
Yerson, comandante do Exército de libertação nacional, na selva do noroeste da Colômbia, a 30 de Agosto de 2017. REUTERS/Federico Rios

O governo colombiano e a guerrilha do Exército de libertação nacional anunciaram nesta segunda ter concluído um cessar-fogo temporário visando por um termo a mais de 50 anos de conflito armado.

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As negociações entre esta guerrilha ainda activa na Colômbia e as autoridades de Bogotá têm decorrido na capital do Equador, Quito, desde 7 de Fevereiro.

O cessar-fogo será efectivo a partir de Outubro, por um pouco mais de três meses renováveis e expira, numa primeira fase, a 12 de Janeiro de 2018.

De lembrar que o chefe de Estado, Juan Manuel Santos, obtivera o Prémio nobel da Paz de 2016 pelo seu papel ao obter um entendimento com as FARC, outra rebelião colombiana, entretanto desarmada e transformada em partido político.

Este ao anunciar este cessar-fogo com o ELN prometeu continuar a trabalhar em prol de uma "paz completa".

Um anúncio que coincide com a chegada iminente do Papa Francisco. O Sumo Pontífice começa nesta quarta-feira uma deslocação a este país sul-americano.

Juan Manuel Santos especificou que durante o período do cessar-fogo os raptos, atentados contra oleodutos e demais hostilidades contra a população civil, por parte do ELN, devem cessar.

Esta guerrilha, inspirada na revolução cubana e na Teologia da libertação, no seio da Igreja católica, foi fundada em 1964 no âmbito de uma revolução camponesa e contaria com cerca de 1 500 combatentes.

O ELN, por seu lado, garantiu que uma vez passados os "dias de festa" que acompanham a presença do Papa permaneceria determinado em progredir rumo a uma solução do conflito, "até que a paz completa seja uma realidade".

Foram necessários quatro anos de negociações entre o governo e as FARC, (até à semana passadas conhecidas sob a designação de Forças armadas revolucionárias da Colômbia, e agora institucionalizadas como partido sob a o nome de Força alternativa revolucionária comum) para se obter um acordo de paz em Novembro de 2016 e por cobro à actividade da maior das guerrilhas colombianas.

O conflito na Colômbia implicou cerca de trinta guerrilhas de esquerda, forças paramilitares e as forças da ordem provocando pelo menos 26 000 mortos, mais de 60 000 desaparecidos e cerca de sete milhões de deslocados internos.

Ainda na semana passada dois atentados com explosivos foram atribuídos ao ELN.

Um deles visou uma patrulha fluvial em Arauca (leste) ferindo três soldados e um desaparecido.

O outro teve como alvo um dos principais oleodutos, neste mesmo distrito fronteiriço com a Venezuela, provocando uma fuga de petróleo e a poluição de dois rios, obrigando à suspensão da extracção do bruto.

Miguel Barreto Henriques é o director na capital colombiana do Observatório de construção da paz.

Na sua óptica, não obstante estes avanços de paz, o país sul-americano debate-se ainda com grandes fragilidades.

Miguel Barreto Henriques, director do Observatório da construção da paz na Colômbia

 

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