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Peru

Peru: Fujimori agraciado por Kuczynski

Alberto Fujimori foi o autor de uma das páginas mais sombrias da História recente do seu país.
Alberto Fujimori foi o autor de uma das páginas mais sombrias da História recente do seu país. REUTERS/Mariana Bazo/Files

O antigo Presidente Alberto Fujimori, detido desde 2009 por corrupção e massacres durante o combate contra os maoistas, foi agraciado pelo actual Presidente do Peru alguns dias depois deste último ter escapado, na passada Quinta-feira, a uma moção de destituição com a abstenção de 8 deputados pertencentes ao campo pro-Fujimori.

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De acordo com a oposição, para evitar a destituição, pelos seus alegados elos com a construtora brasileira Odebrecht que reconheceu ter pago cinco milhões de dólares entre 2004 e 2013 a empresas directamente ligadas a ele na altura em que era ministro, o Presidente Kuczynski prometeu aos deputados da "força popular, o partido de Fujimori, libertar o antigo Chefe de Estado se eles se abstivessem, o que o interessado desmente.

Num comunicado emitido ontem, a presidência referiu tratar-se de uma graça "humanitária" alegando que exames médicos revelaram que Alberto Fujimori, 79 anos, sofre de uma doença degenerativa incurável. Condenado em 2009 a 25 anos de prisão, Alberto Fujimori dirigiu o Peru entre 1990 e o ano 2000 de uma mão de ferro, o seu nome tendo sido envolvido em casos de corrupção e sobretudo em massacres contra a oposição maoista.

Se a família de Fujimori agradeceu efusivamente via twitter o Presidente que ainda no ano passado, aquando da sua campanha eleitoral, jurava que nunca iria agraciar esta figura controversa, o mesmo não ocorreu com as famílias das 25 vítimas dos esquadrões da morte que actuaram sob as ordens de Fujimori. O anúncio da libertação do antigo Presidente deu azo a incidentes nas ruas de Lima, a capital, e foram desdobrados polícias anti-motins junto da residência do Presidente Kuczynski.

No próprio campo do Presidente, esta decisão também não fez a unanimidade. Pelo menos dois ministros do seu governo anunciaram a sua intenção de se demitirem e, no mesmo sentido, dois deputados do seu partido também bateram com a porta.

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