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Internacional

Reino Unido vai investigar utilização de dados do Facebook

Diretor-geral da Cambridge Analytica, Alexander Nix, no passado 9 de Novembro de 2017 em Lisboa
Diretor-geral da Cambridge Analytica, Alexander Nix, no passado 9 de Novembro de 2017 em Lisboa REUTERS/Pedro Nunes/File Photo

O Reino Unido vai abrir um inquérito depois de terem vindo a público revelações segundo as quais a Cambridge Analytica, um gabinete de análise de dados baseado em Londres que trabalhou na campanha de Trump em 2016, teria colectado os dados pessoais de 50 milhões de utentes da rede social Facebook.

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Estas revelações feitas nomeadamente pelo New York Times, ou o jornal britânico The Observer, tiveram o efeito de uma bomba dos dois lados do Atlântico, a questão sendo de saber como esta empresa teve acesso aos dados em posse do Facebook. Neste caso, cada um tem a sua versão.

Fundada em 2013, a agência britânica Cambridge Analytica, apresenta-se como uma empresa especializada em estudos de consumo, publicidade personalizada e outros serviços relacionados com a difusão de dados para entidades políticas ou empresas. Neste âmbito, esta entidade colaborou em 2016 com a campanha de Donald Trump, mas esta empresa desmente ter recuperado sem consentimento prévio os dados de 50 milhões de utentes de Facebook no intuito de pesar nas presidenciais americanas., esta empresa negando pela mesma ocasião ter trabalhado sobre o referendo do Brexit.

Outro motivo de embaraço para esta empresa, alguns quadros da Cambridge Analytica foram acusados de querer apanhar em armadilhas homens políticos, o canal de televisão britânico Channel 4 tendo difundido ontem uma reportagem em que Alexander Nix, director geral da empresa, sem saber que está a ser filmado, sugere técnicas para colocar em dificuldade adversários políticos com o recurso a subornos ou prostitutas. No seu desmentido, a Cambridge Analytica refere que esta reportagem foi "editada no intuito de deformar de modo grosseiro o conteúdo das conversas e a forma como a empresa gere os seus negócios".

Por seu lado, Facebook, que juntamente com outras empresas como a Google ou a Twitter tem vindo a ser alvo de críticas por alegadamente não ter feito o suficiente para combater a difusão de "fake news" e a possível ingerência russa nas presidenciais americanas, tenta evitar maiores danos, depois de já ter perdido 7% do seu valor ontem na bolsa de Nova Iorque.
Para além de comunicar imediatamente ter encerrado a conta dessa empresa na sua rede social, Facebook explica que os referidos dados terão sido colectados pela Cambridge Analytica recorrendo aos serviços de um universitário britânico, Aleksandr Kogan, que criou uma aplicação na Facebook que foi descarregada por 270 mil pessoas, o que lhe deu acesso aos seus respectivos dados pessoais assim como aos dados dos seus "amigos" na rede social.

Neste contexto, a autoridade britânica de regulação e protecção dos dados disse ter pedido para proceder a buscas dentro da Cambridge Analytica, isto depois de já ter contactado a empresa no início deste mês sem obter resposta atempadamente. Esta autoridade pediu igualmente e obteve por parte da empresa de Mark Zuckerberg a cessação da sua própria investigação interna, de modo a não comprometer o seu próprio inquérito. Paralelamente, a Comissão Europeia agendou igualmente uma discussão sobre o assunto, uma representante desta entidade encontrando-se actualmente em Washington no intuito de obter esclarecimentos por parte de Facebook. Nos Estados Unidos também, a conhecida rede social tem estado sob a crescente pressão de parlamentares Republicanos e Democratas que pretendem levar Zuckerberg ao Congresso para prestar contas sobre este caso.

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