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Acordo nuclear com o Irão "não está morto"

Donald Trump, 8 Maio de 2018.
Donald Trump, 8 Maio de 2018. REUTERS/Jonathan Ernst

O ministro francês dos Negócios estrangeiros, Jean-Yves Le Drian, garantiu hoje que "o acordo não está morto". Paris, Londres e Berlim mantêm uma frente unida, depois do Presidente dos Estados Unidos ter anunciado que retirou o país do acordo com Teerão sobre o seu programa nuclear.

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Face ao peso que o acordo nuclear iraniano tem na geopolítica internacional, mas principalmente como garante da estabilidade no Médio Oriente, as reacções não tardaram e voltaram a ser negativas para os Estados Unidos.

Desde logo da parte do Irão. Hassan Rouhani, o Presidente da República Islâmica, afirmou que o país vai manter o seu compromisso com o acordo assinado mesmo sem os Estados Unidos. Embora tenha centrado o seu discurso na ideia da manutenção do acordo, deixou no ar a ameaça. Caso as negociações falhem, o Irão vai enriquecer urânio “mais do que antes”.

Como manifestação de repúdio, deputados iranianos incendiaram simbolicamente uma bandeira de papel dos EUA, no parlamento, gritando: "Morte à América!".

Nas imagens divulgadas em vários órgãos de comunicação iranianos, vê-se um deputado que agita uma bandeira de papel dos Estados Unidos e a queima na tribuna da Câmara. Outro deputado conservador, Mojtaba Zolnur, junta-se a ele e ateia fogo a uma cópia do acordo nuclear. "Queimamos o acordo nuclear", grita.

Seguiram-se gritos de "morte aos Estados Unidos", dezenas de deputados juntaram-se a eles, segundo as imagens divulgadas pela televisão estatal iraniana. Os dirigentes iranianos condenaram a decisão do Presidente americano Donald Trump em abandonar o acordo nuclear e a imposição de duras sanções americanas que foram suspensas no âmbito do acordo.

O acordo nuclear com o Irão foi assinado em Julho de 2015 em Viena entre Teerão e o Grupo 5+1 (China, Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia e Alemanha).

Da parte da Europa, Emmanuel Macron, Angela Merkel e Theresa May lamentaram a decisão de Donald Trump e reafirmaram os seus esforços para manterem o compromisso assinado em 2015.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros francês, britânico e alemão vão encontrar-se com representantes de Teerão, na próxima segunda-feira, para arranjarem forma de preservar o acordo nuclear iraniano

A Rússia foi menos cordial e admitiu estar “profundamente desapontada” com a decisão de Trump e falou ainda na "incapacidade" de Washington para negociar.

A União Europeia considera o acordo nuclear "essencial" para a segurança mundial e, através da chefe da diplomacia da União Europeia, Federica Mogherini, fez um apelo; "não deixem ninguém desmantelar este acordo".

O secretário-geral da ONU, António Guterres, mostrou-se "profundamente preocupado" com o abandono do acordo nuclear por parte dos Estados Unidos.

Barack Obama foi outra das vozes críticas depois do anúncio de Trump. Ao ver mais uma das suas conquistas ser revertida por Trump, o antigo Presidente considerou esta decisão um "erro grave" e teme a perda de "credibilidade global" dos EUA.

Israel e a Arábia Saudita, aliados de longa data de Washington, foram dos poucos países a congratularem-se pela decisão anunciada por Donald Trump.

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