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Iraque

Iraquianos chamados às urnas este Sábado

Os militares iraquianos, aqui em Bagdad, foram os primeiros a votar, ontem no dia 10 de Maio.
Os militares iraquianos, aqui em Bagdad, foram os primeiros a votar, ontem no dia 10 de Maio. REUTERS/Thaier al-Sudani

Amanhã, pela primeira vez desde a vitória sobre o grupo Estado Islâmico no Iraque há alguns meses, os eleitores vão ser chamados às urnas no âmbito de legislativas cujo vencedor terá a tarefa de encaminhar a reconstrução do país e tentar manter a sua frágil unidade.

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Mais de 7 mil candidatos vão brigar os 329 assentos parlamentares em jogo, num xadrez político cujo equilíbrio é milimetricamente regulado no sentido de todas as correntes serem representadas neste país onde as tensões intercomunitárias e inter-religiosas têm sido uma constante. Desde o derrube do antigo presidente Sadddam Hussein em 2003, o posto de primeiro-ministro é atribuído a um xiita, a presidência do parlamento a um sunita e a presidência da República, cargo essencialmente protocolar, é atribuída a um curdo.

Só que desta vez, o equilíbrio de forças parece ser diferente. Nenhum grande bloco político representa taxativamente os sunitas. Segundo observadores, esta comunidade que se tem considerado recorrentemente marginalizada face à maioria xiita, está a atravessar um período difícil, com milhões dos seus membros deslocados devido aos combates. Os curdos também estão numa posição delicada, depois do seu encontro falhado com a História e o fracasso do referendo sobre a sua autodeterminação no passado mês de Setembro.

É neste contexto que é novamente candidato o primeiro-ministro cessante, Haider al Abadi, 66 anos, no poder há 4 anos, com a derrota do Estado Islâmico no seu activo. Conhecido como homem de compromisso, a sua lista, a Aliança da Vitória que abrange candidatos sunitas, xiitas, curdos, cristãos e yazidis é a única formação que concorre nas 18 províncias do país. Contra ele, tem críticas relativas à persistência da corrupção no país e as suas medidas de austeridade designadamente para financiar a luta contra Daesh.

Face a ele, surge o seu antecessor, Nouri al Maliki, 67 anos, que pretende regressar à política, jogando a carta comunitária xiita. O Irão que entra neste frágil equilíbrio, contudo, prefere outro candidato, Amiri, 63 anos, líder da organização Badr que esteve na vanguarda da luta contra Daesh e que pretende colher os louros desse combate.

Outras variantes a ter também em conta neste escrutínio, o Estado Islâmico poderia tentar perturbar o processo e a decisão esta semana dos Estados Unidos se retirarem do acordo nuclear com o Irão, pode alterar o panorama político do Iraque, uma vez que ambas as partes mantêm a sua influência no país.

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