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Irlanda

Irlandeses em vias de despenalizar o aborto

Militantes em Dublin a favor do SIM à modificação da lei que proíbia o aborto na Irlanda
Militantes em Dublin a favor do SIM à modificação da lei que proíbia o aborto na Irlanda ©REUTERS/Clodagh Kilcoyne

Os eleitores da Irlanda, onde até agora havia uma forte tradição católica, votaram ontem largamente a favor do SIM, no referendo sobre a alteração do artigo da Constituição proibindo o aborto. Aquele país já tinha uma das leis do aborto mais  restritivas da Europa, mas os irlandeses querem ir no sentido europeu da despenalização na matéria.

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Mais de dois terços de irlandeses, à volta de 68%, votaram SIM, ao referendo de ontem na Irlanda, pedindo a modificação do artigo proibindo o aborto na Irlanda.

Segundo o instituto de sondagem Ipsos MRBI, com base num inquérito junto de 4 mil eleitores em 160 assembleias de voto na Irlanda, 68% dos irlandeses votaram SIM pela alteração da constituição na matéria do aborto.

Também, o Instituto Behaviour & Attitudes, deu o SIM a vencer com 69% e segundo Kevin Humphries, senador trabalhista, na oposição, esta tendência parece confirmar-se à luz das contagens feitas sobre o referendo.

Ainda não há resultados oficiais, mas todas "as sondagens à boca das urnas vão nesse sentido", sublinhou hoje o senador trabalhista. 

Entrevistado pela televisão pública, RTE, John McGuirk, porta-voz de um movimento anti-aborto, reconheceu a derrota do seu campo.

"Não há maneira nenhuma para que o texto sobre o direito ao aborto, não seja adoptado", sublinhou McGuirk.

Os eleitores da Irlanda eram chamados a pronunciar-se no referendo de ontem pelo SIM ou pelo NÃO à anulação de uma emenda constitucional proibindo, desde 1983, a promulgação de qualquer legislação sobre a interrupção voluntária da gravidez e protegendo a vida da criança à nascença assim como a da mãe. 

O direito irlandês foi modificado em 2013 mas a possibilidade de interromper uma gravidez ficou limitada aos casos em que a vida da mãe estava em perigo.

Com o SIM, à alteração da lei do aborto o campo liberal sai a ganhar frente a uma Irlanda, onde há uma forte tradição conservadora católica. 

A taxa de participação no referendo de ontem, que poderá ultrapassar os 61% por cento é uma das mais altas na história de eleições na Irlanda, o que quer dizer, que os irlandeses querem defender convicções mais europeias liberais.

Este voto vai também no sentido da liberalização conseguida com a legalização do casamento homossexual em 2015.

Foi em Dublin, a capital, onde a taxa do SIM, cerca de 71% foi a mais alta neste referendo despenalizando o aborto na Irlanda.

Os defensores do aborto, dizem que a prática já é uma realidade  tendo em conta que anualmente cerca de 3 mil mulheres irlandesas se deslocam ao Reino Unido para abortar. 

Pode dizer-se que há uma revolução na sociedade irlandesa, já que mesmo no meio rural mais conservador, o voto SIM, saiu vencedor, e durante a campanha, temia-se um voto do NÃO, entre os rurais, que desmentem assim os analistas. 

Oiçamos aqui a análise de Filipe Ribeiro de Menezes, historiador e professor na Universidade Nacional de Maynooth, perto de Dublin. 

Filipe Ribeiro de Menezes, professor na Universidade Nacional de Maynooth da Irlanda

 

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