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México/Estados Unidos

Milhares de imigrantes a caminho dos Estados Unidos

Caravana de imigrantes que tentam chegar aos Estados Unidos, numa escola do Guatemala 17/10/2018
Caravana de imigrantes que tentam chegar aos Estados Unidos, numa escola do Guatemala 17/10/2018 ©REUTERS/Luis Echeverria

Sete mil imigrantes sobretudo oriundos das Honduras, fugindo à fome e à violência, já percorreram a pé 800 kms, mas ainda restam 3.000 para chegarem à fronteira com os Estados Unidos, onde Donald Trump fala de "atentado à soberania".

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64% da população hondurenha é pobre ou extremamente pobre e as Honduras são um dos países mais violentos no mundo com 43 homicídios por cada 100.000 habitantes.

Uma caravana com cerca de 3.000 pessoas deixou as Honduras no dia 13 de Outubro marchando em direcção aos Estados Unidos, mas ao longo de 800 kms, atravessado o Guatemala e o sul do México, esta já atinge cerca de 7.000 pessoas, segundo a ONU, que alerta para a existência de "pessoas em perigo" e afirma que "os que fogem a perseguições e violência, tem de ter acesso ao país e ao processo de determinação do seu estatuto de refugiado e ao sistema de asilo".

O México afirmou esta terça-feira (23/10) ter recebido 1.699 pedidos de estatuto de refugiados, designadamente para crianças.

Segundo organizações humanitárias, que esta terça-feira (23/10) acolheram os imigrantes no Estado de Chiapas, no sul do México, cerca de um quarto das pessoas são crianças e muitas mães com por vezes menos de 20 anos, fugiram das Honduras para escapar à miséria e violência de grupos armados ligados ou não ao narco-tráfico, que recrutam os seus maridos e filhos à força e violam as mulheres.

Entretanto uma segunda caravana com cerca de 2.000 pessoas deixou este domingo (21/10) as Honduras em direcção aos Estados Unidos, em cuja fronteira o exército já está em alerta, pois segundo o Presidente Donald Trump trata-se de "um assalto e um atentado à soberania" pelo que travar a sua entrada, constitui uma "urgência nacional".

Há anos que tem lugar esta "transumância humana" entre as Honduras e os Estados Unidos, a última ocorreu com sucesso em Abril último, segundo um testemunho veículado pela agência de notícias Reuters, embora com muito menos imigrantes e na indiferença das autoridades norte-americanas.

Mas em plena campanha para as eleições intercalares de 6 de Novembro, o Presidente Donald Trump que fez da luta anti-emigração ilegal o seu cavalo de batalha, decidiu encarar este movimento de populações em direcção aos Estados Unidos, como um desafio à sua política de tolerância zero à emigração ilegal.

Esta terça-feira (23/10) o seu vice-presidente Mike Pence sugeriu que organizações hondurenhas de esquerda, financiadas pela Venezuela, financiavam estas caravanas para desafiar a soberania dos Estados Unidos, ao que o deputado hondurenho da oposição Jari Dixon respondeu através do Twitter, que os seus "compatriotas não corriam atrás do sonho americano mas apenas fugir ao "inferno hondurenho", onde reina a miséria e a violência.

Entre 19 e 21 de Outubro quase 4.000 hondurenhos decidiram abandonar a caravana e estão a regressar ao seu país, onde o Presidente Juan Orlando Hernandez que acusou a oposição de fomentar estas caravanas, anunciou esta terça-feira (23/10) um plano orçado em 27 milhões de dólares, para garantir o seu "regresso em condições de segurança", através de subsídios, habitações, projectos agrícolas, trabalho nas obras públicas, créditos para micro-empresas e bolsas de estudo.

 

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