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Brexit a todo o custo

A primeira-ministra britânica Theresa May anunciou o adiamanto do voto sobre o acordo final do Brexit
A primeira-ministra britânica Theresa May anunciou o adiamanto do voto sobre o acordo final do Brexit REUTERS/Henry Nicholls

A primeira-ministra britânica percorre a Europa para salvar "Brexit". Depois de ter adiado a votação decisiva, Theresa May tem hoje uma série de viagens-relâmpago. Em Haia, Berlim e Bruxelas a líder britânica vai tentar salvar o acordo de saída da União Europeia.

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Theresa May procura "garantias" para manter vivo o controverso acordo do Brexit, a primeira-ministra britânica visita esta terça-feira os principais líderes europeus, que, no entanto, já deixaram claro que não pensam abrir novas negociações.

Perante uma derrota na sessão de ratificação prevista para esta terça-feira no Parlamento britânico, a chefe de Governo conservadora decidiu adiar a votação e iniciou uma nova ronda com os líderes europeus.

Esta manhã reuniu-se em Haia com o primeiro-ministro holandês, Mark Rutte. "Foi um diálogo útil que nos permitiu discutir os últimos dados do Brexit", escreveu no twitter este último, ao lado de uma foto de ambos.

Theresa May vai fazer uma escala em Berlim para um encontro com a chanceler alemã, Angela Merkel.

Durante a noite a primeira-ministra britânica vai para Bruxelas, onde se avistará com os presidentes do Conselho Europeu, Donald Tusk, e da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

"Vou falar com a senhora May esta noite e direi, como disse ao Parlamento, que o acordo que alcançamos é o melhor acordo possível, é o único possível", afirmou Jean-Claude Juncker.

21 de Janeiro, governo britânico submete acordo a votação

O Parlamento britânico retoma sessões em 7 de Janeiro. Nesta terça-feira, o governo prometeu submeter o acordo à votação antes de 21 de Janeiro. Depois do referendo de Junho de 2016, no qual 52% dos britânicos votaram a favor do Brexit, o Reino Unido deve sair do bloco em 29 de Março. Caso não ratifique o texto negociado com Bruxelas, a saída deve acontecer sem acordo, o que teria consequências catastróficas para a economia britânica. Outra hipótese é cancelar o Brexit, o que num país muito dividido faz com que alguns sonhem, enquanto outros nem querem ouvir falar da possibilidade.

O acordo de 585 páginas, fruto de 17 meses de negociações, enfrenta uma grande rejeição no Parlamento britânico.

O ponto mais polémico do acordo é o chamado "backstop", ou "rede de segurança", um mecanismo pensado para evitar o retorno de uma fronteira na ilha da Irlanda que ameace o Acordo de Paz de 1998, que acabou com 30 anos de um conflito violento. O mecanismo só entraria em vigor depois do período de transição, previsto inicialmente até o fim de 2020, mas que pode ser ampliado até 2022, e se não for encontrada uma solução melhor durante a negociação da futura relação entre as partes após o Brexit.

Apesar de tudo, os defensores do Brexit temem que o Reino Unido fique permanentemente atrelado às redes europeias e pressionam para que Theresa May tente uma improvável renegociação para obter mais garantias.

Jean-Claude Juncker destacou a determinação da UE de fazer todo o possível para não chegar a uma situação que exija a aplicação do "backstop", mas defendeu que este não pode ser apenas suprimido, principalmente pelo interesse da República da Irlanda, membro do bloco.

“Estou espantado, porque chegámos a um acordo com o governo britânico. No entanto, surgiram problemas no caminho. Vou encontrar-me com Theresa May esta noite e tenho de dizer aqui, no Parlamento Europeu, que o acordo que alcançámos é o melhor acordo, é o único acordo possível. Não há qualquer espaço para uma renegociação, há sim espaço suficiente para clarificações. Todos precisam de saber que o acordo de saída não vai ser reaberto, isso não vai acontecer”, declarou Jean-Claude Juncker.

Donald Tusk decidiu convocar para quinta-feira uma reunião extraordinária sobre a saída britânica da UE, no início do conselho europeu de dois dias, previsto há vários meses e que tinha na agenda outros temas importantes, como a imigração e o orçamento.

Peça com declarações de Theresa May e Jean-Claude Juncker

 

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