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FESTIVAL DE CINEMA DE MACAU

Macau: festival apostado na juventude

Festival de cinema de Macau a decorrer até 14 de Dezembro.
Festival de cinema de Macau a decorrer até 14 de Dezembro. RFI/Miguel Martins

O 3° Festival internacional de cinema de Macau encerra nesta sexta-feira com o respectivo palmarés e consequente atribuição dos prémios. Foram seleccionados 11 filmes: a primeira ou a segunda longa metragem dos respectivos realizadores, uma aposta deste novo certame desde a edição 2017.

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Um certame ainda novo, pois, a apostar também na juventude ou, pelo menos, nas primeiras criações cinematográficas dos respectivos realizadores.

Macau optou, assim, desde o ano transacto, por não ser mais um novo festival a colocar os seus holofotes nos cineastas confirmados.

Nas duas primeiras edições, recorde-se, o prémio principal fora para dois filmes argentinos.

Da Argentina veio, precisamente, um dos onze filmes em competição "Sangre blanca" (sangue branco).

Trata-se da segunda longa metragem de Barbara Sarasola Day sobre um drama implicando as chamadas "mulas", pessoas que ingerem cápsulas de cocaína para a transportarem da Bolívia para a Argentina.

Uma expedição em que correm risco de vida: um drama com que se defronta a protagonista cujo namorado acaba por morrer e é obrigada a devolver a totalidade da droga transportada à rede que a contratou.

Aliás os dramas foram uma das principais tónicas dos filmes em competição no certame.

Foi o caso dos alunos franceses de uma escola secundária obcecados pela morte e pelo declínio da humanidade em "School's out/ L'heure de la sortie" (Hora do recreio) de Sébastien Marnier, por exemplo.

Mas também no reencontro de um ex refém com a sua raptora no coreano "Clean up" de Kwon Man Ki.

O traumatismo de uma violação por um conhecido de uma jovem alemã, obrigada a tornar-se colega de trabalho do agressor em "Alles ist gut" (tudo bem) de Eva Trobisch.

A ruptura dolorosa de dois casais, separados pela diferença de idade, num fim de semana passado à beira mar na localidade balnear inglesa de Scarborough foi, por sua vez, o mote do filme de Barnaby Southcombe.

A descida aos infernos da burguesia mexicana apanhada nas malhas da crise económica teve ilustração em "Las niñas bien" (Boas raparigas) de Alejandra Marquez Abella.

A morte do amigo de um jovem aluno japonês recém-chegado a uma escola cristã é o enredo do japonês Jesus de Hiroshi Okuyama.

Por seu lado o siberiano Ága, do búlgaro Milko Lazarov, filma o Norte polar e o definhar de uma idosa de um casal isolado nas paisagens da neve eterna.

Com os pais a tentarem reaproximar-se da filha que optara por ir para a cidade.

Uma noite de angústia nos serviços telefónicos de emergência da polícia é a proposta do brilhante "The guilty" (O culpado), quando um telefonista decide ir até às últimas consequências para desvendar um crime que lhe é relatado, filme do dinamarquês Gustav Moller.

O filme indiano "The man who feels no pain " (O homem que não sente dores), destoa deste leque ao propor, à moda do cinema de Bollywood, momentos musicais, pontuados por muita violência e artes marciais em torno do crescimento de dois jovens que não se querem perder de vista.

E isto numa obra de Vasan Bala.

Também o único filme chinês em competição, "Suburbian birds" (pássaros dos subúrbios", da autoria de Quiu Sheng, sai um pouco desse registo dramático.

Propondo contrapor dois universos: o de engenheiros adultos e o de um grupo de crianças da liga comunista, fascinados uns e outros pelos ninhos de pássaros.

Luís Urbano, da produtora portuguesa O som e a fúria, marca presença pelo segundo ano consecutivo no Festival internacional de cinema de Macau, como conselheiro internacional.

E isto para além de ter estado produzido o filme do seu compatriota Ivo Ferreira "Hotel Império", longa metragem que estreou neste certame e que tem como palco esta agora região administrativa especial da China.

Ele alega que o festival "está a crescer e a ganhar pernas para andar".

O também ex actor e realizador de curtas metragens afirma-se "feliz por estar a ajudar na consolidação de um festival".

Urbano aplaude a filosofia do certame em ter apostado em filmes de cineastas ainda não confirmados dizendo que, desta feita, o certame "cumpre um papel com uma selecção de filmes bem cuidada de plataforma de lançamento de novos talentos", o que, em seu entender, "é uma aposta ganha".

Este também ex actor e realizador de curtas metragens salienta, ainda o facto de este certame, propor à lusofonia uma janela aberta para a Ásia, nomeadamente em termos de co-produções.

Nesta edição de 2018, para além de "Hotel Império" esteve aqui em exibição "Diamantino" do português Gabriel Abrantes e do americano Daniel Schmidt, uma paródia de um futebolista luso, com forte sotaque micaelense, interpretado por Carloto Cotta.

Um filme com um universo pop a evocar Andy Warhol e os temas do momento como o afluxo de refugiados para a Europa ou a emergência de movimentos de extrema direita e a sacralização dos craques do futebol.

Uma obra que ganhou o Grande Prémio da Semana da crítica em Cannes, França, em Maio passado.

Ainda em termos de lusofonia, na edição de 2017 o filme brasileiro "As boas maneiras" de Juliana Rojas e Marcos Dutra esteve também aqui em exibição, numa mostra paralela, ou ainda o português "A fábrica de nada", premiado em Cannes, de Pedro Pinho.

O cinema das terras de Vera Cruz que foi premiado, na parte técnica, na competição, na edição inaugural, com "Elon não acredita na morte" do brasileiro Ricardo Alves Júnior.

Também o português "São Jorge" de Marco Martins ganhou dois prémios na estreia absoluta do certame em 2016.

O cineasta luso que marca presença este ano no festival, mas como membro do júri dos filmes asiáticos em cartaz.

 

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