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Brasil

Brasil mergulha em águas inexploradas

Brasília prepara-se para tomada de posse de Jair Bolsonaro
Brasília prepara-se para tomada de posse de Jair Bolsonaro REUTERS/Ueslei Marcelino

Jair Bolsonaro e o novo governo tomam posse esta terça-feira com um programa social ultraconservador e com perspectivas de alinhamento com os Estados Unidos. Em Brasília são esperadas 500.000 pessoas na Esplanada dos Ministérios sob um forte dispositivo de segurança.

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Aos 63 anos, o ex-militar de extrema-direita, nostálgico da ditadura militar e com um histórico de declarações misóginas, racistas e homofóbicas, assume o poder da maior potência latino-americana com uma forte legitimidade eleitoral.

Jair Bolsonaro conquistou 57 milhões de votos (55% do eleitorado) levantando a bandeira de moralidade num país cansado de escândalos de corrupção que enfraqueceram o governo anterior, pela violência e a crise económica.

Esta terça-feira, foi montada uma grande operação de segurança, especialmente, na Esplanada dos Ministérios onde vai decorrer a cerimónia de tomada de posse. Um dispositivo de segurança sem precedentes que inclui o uso de sistemas antimísseis e aeronaves de combate.

Durante a tomada de posse ainda não se sabe se Jair Bolsonaro vai atravessar a Esplanada dos Ministérios junto da esposa Michelle num Rolls Royce, como manda a tradição, ou num carro blindado.

Depois da assinatura do documento que o tornará 38º Presidente da República brasileira, Jair Bolsonaro subirá até ao Palácio do Planalto, o momento mais esperado da cerimónia, quando receberá do seu antecessor, Michel Temer, a faixa presidencial.

Pelo menos doze chefes de Estado e de governo devem estar presentes na cerimónia, o mesmo número que participou na tomada de posse, em 2003, do antigo Presidente do Partido dos Trabalhadores Luiz Inácio Lula da Silva, que hoje está detido a cumprir uma pena de 12 anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro.

Presente no Brasil na tomada de posse de Jair Bolsonaro está o presidente português. Marcelo Rebelo de Sousa avista-se amanhã com o seu homólogo brasileiro e promete levar assunto de cooperação bilateral ou ainda da CPLP a esta audiência.

Entre os dirigentes estiveram ainda presentes o Presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo. Não foram convidados o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, nem o de Cuba, Miguel Díaz-Canel, considerados ditadores de esquerda pelo novo governo.

Desde as primeiras horas da manhã, os apoiantes de Jair Bolsonaro começaram a passar pelos controles de segurança da Esplanada dos Ministérios, onde centenas de milhares de pessoas são aguardadas para festejar o novo Presidente.

65% da população brasileira acredita que a presidência de Jair Bolsonaro vai ser boa, indica uma sondagem publicada na Folha de São Paulo. Jair Bolsonaro foi eleito em Outubro, à segunda volta, com o lema conservador "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos".

EUA-Brasil-Israel

Jair Bolsonaro tenciona reforçar relações com os Estados Unidos e Israel, formando uma espécie de novo eixo que rompe com décadas de políticas de centro-esquerda.

Esta estratégia anti-globalização, conservadora e muitas vezes cheia de tintas autoritárias, também ganhou força em países como Itália, Hungria, Polónia, Filipinas, Rússia ou Turquia.

"Juntos, mas com outros países como Estados Unidos, que pensam e têm uma ideologia parecida com a nossa. Temos tudo para nos ajudar e fazer o bem para nossos países", declarou Benjamin Netanyahu, no Rio de Janeiro.

Jair Bolsonaro prometeu transferir a embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém, um passo que pode levar a represálias comerciais por parte de países árabes, os grandes comparadores de carne brasileira. Também anunciou a saída do Brasil do Pacto Global de Migração das Nações Unidas e ameaçou fazer o mesmo com o Acordo de Paris contra as mudanças climáticas.

E resta saber que tipo de relacionamento quer com a China, o principal parceiro comercial do Brasil, depois de acusar Pequim de "comprar o Brasil".

Um mergulho em águas inexploradas

A partir desta terça-feira, Jair Bolsonaro, que durante quase três décadas foi um deputado pouco expressivo, terá que demonstrar se é capaz de colocar em prática as promessas de banir os vícios da velha política brasileira e realizar os programas de cortes fiscais e privatizações com que seduziu os mercados.

Jair Bolsonaro vai estar rodeado por uma equipa de 22 ministros, incluindo sete oficiais militares da reserva, numa mistura de conservadorismo moral e liberalismo económico.

Para garantir a governabilidade, deverá manter a convergência dos lobbies das bancadas temáticas que lhe deram um suporte fundamental na campanha: os grandes produtores do agro-negócio, as igrejas ultra-conservadoras e os defensores da flexibilização do porte de armas.

Questões económicas

A prioridade de Jair Bolsonaro vai ser discutir no Congresso uma reforma da Previdência para reduzir o impacto nas contas públicas. Uma medida impopular. Na última entrevista televisiva que deu, antes do final do ano, na rede Record, Jair Bolsonaro comprometeu-se a "desburocratizar o máximo possível" e "tirar o peso do Estado de cima de quem produz" para impulsionar a economia.

Embora depois da vitória eleitoral tenha prometido governar "sem distinção de origem, raça, sexo, cor ou religião", nos últimos dias Jair Bolsonaro multiplicou comentários bélicos no Twitter, a sua arma de comunicação favorita, uma prática já conhecida do Presidente norte-americano.

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