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Venezuela

Grupo de Contacto reflecte sobre saída de crise da Venezuela

O Presidente autoproclamado Juan Guaidó (à esquerda) recusa a ideia de uma mediação internacional num diálogo com o seu adversário, o Presidente eleito Nicolás Maduro (à direita).
O Presidente autoproclamado Juan Guaidó (à esquerda) recusa a ideia de uma mediação internacional num diálogo com o seu adversário, o Presidente eleito Nicolás Maduro (à direita). REUTERS/Carlos Garcia Rawlins/ Miraflores Palace

Decorre hoje em Montevideu, capital do Uruguai, a reunião do recém-criado Grupo de Contacto Internacional que abrange 8 países europeus, entre os quais a França e Portugal, assim como um grupo de países latino-americanos que têm permanecido neutros relativamente ao braço-de-ferro entre Maduro e Guaidó.

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Na abertura da reunião, a chefe da diplomacia da União Europeia, Federica Mogherini, considerou que somente uma solução pacífica e política poderia evitar que a Venezuela mergulhe no caos. O Grupo Internacional de Contacto, cuja criação foi anunciada a 31 de Janeiro, concedeu a si-próprio 3 meses para definir um processo através do qual os venezuelanos poderão determinar o seu próprio futuro, através de eleições livres, transparentes e credíveis.

Apesar de vários participantes da reunião do GIC, entre eles a França e Portugal, terem reconhecido Guaidó como Presidente interino, conforme o fizeram Washington e vários estados latino-americanos, contrariamente a estes últimos, os países europeus preconizam uma solução comedida, sem acção visando a empurrar Maduro para a saída.

Ontem, em prelúdio à reunião de Montevideu, o Uruguai e o México propuseram um mecanismo de saída de crise, um plano com o qual desde já Nicolás Maduro concordou.

Numa declaração comum, os governos do México e do Uruguai, que foram entre os raros países a não reconhecer Guaidó como Presidente, referiram que este mecanismo submetido à apreciação hoje dos restantes participantes da reunião do Grupo de Contacto, comporta diversas fases de mediação a serem conduzidas por figuras reconhecidas internacionalmente e sem a condição prévia da organização de presidenciais antecipadas, como foi exigido no ultimato europeu ao Presidente eleito. De acordo com o chefe da diplomacia do Uruguai "se exigirmos eleições a determinado momento, estamos a impor condições que dificultam o diálogo".

Maduro que rejeitou o ultimato europeu no começo da semana, saudou esta iniciativa.

"Apoio o plano em quatro fases proposto pelo grupo de Montevideu, o mecanismo que é apresentado pelos governos do México, do Uruguai e da Bolívia, assim como os 14 países das Caraíbas. Estamos preparados e prontos a participar num processo de diálogo soberano e constitucional para chegarmos a um acordos sobre uma agenda nacional de paz e compreensão" disse o Presidente eleito.

Eis os pormenores.

Já do lado do Presidente autoproclamado Juan Guaidó, a resposta é diferente: "A oposição não se vai prestar a nenhum tipo de falso diálogo", insistiu Guaidó para quem Maduro está apenas "a tentar ganhar tempo".

O facto é que no terreno, o braço-de-ferro concentra-se agora em torno da ajuda humanitária. Ainda ontem Guaidó exortou o exército a deixar de bloquear a entrada no país da ajuda humanitária que vai transitando pela vizinha Colômbia. A própria ONU declarou-se hoje disponível para enviar ajuda se Caracas desse a sua luz verde, as Nações Unidas considerando que "é importante aumentar esse apoio". Até agora, Nicolás Maduro tem impedido a entrada dessa ajuda por considerar que é a premissa de uma intervenção militar.

De acordo com a ONU, desde 2015, a crise política, económica e humanitária vigente no país, jà levou ao exílio cerca de 2,3 milhões de venezuelanos.

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