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Haiti

Haiti: rua quer demissão do Presidente Jovenel Moïse

Manifestantes exigem a demissão do Presidente Jovenel Moïse
Manifestantes exigem a demissão do Presidente Jovenel Moïse REUTERS/Jeanty Junior Augustin

Haiti está em caos com manifestações diárias desde 7/02, para exigir a demissão do Presidente Jovenel Moïse, que esta quinta-feira e pela primeira vez se pronunciou sobre estes protestos, que causaram pelo menos 7 mortos, recusando demitir-se.

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O Presidente Jovenel Moïse, de 50 anos de idade, eleito a 20 de Novembro de 2016 com 55,6% de votos e que tomou posse a 7 de Fevereiro de 2017, esta quinta-feira (14/02) no seu primeiro pronunciamento desde o início da revolta popular a 7 de Fevereiro e num discurso gravado em crioulo, difundido pela televisão estatal, afirmou que cumprirá os 5 anos do seu mandato, não se demitirá e não cederá o poder a governos de transição, que segundo ele "no passado já provocaram catástrofes e desordens em Haiti".

A demissão do Presidente é a principal reclamação da oposição, que o acusa de corrupção não ter cumprido a promessa eleitoral em 2016 de "pôr comida no prato e dinheiro no bolso" de cada haitiano.

Após o seu discurso ouviram-se tiros na capital Port au Prince, onde barricadas com pneus em fogo, são erguidas desde 7 de Fevereiro para impedir a circulação nos grandes eixos da capital e de outras cidades de Haiti, sobretudo Gonaïve, o berço da independência, paralisando consideravelmente todas as actividades, com escolas, comércios e administrações encerradas devido à violência.

O Presidente frisou ainda que não deixaria o país "nas mãos de gangs armados e de traficantes de droga", depois de na véspera (13/02) um dos mais poderosos gangs do país, ter desfilado nas ruas da capital com o seu líder e um importante arsenal de armas automáticas, sem qualquer intervenção da polícia, apesar de se terem registado tiroteios perto do palácio presidencial, opondo polícias a manifestantes, dos quais resultaram vários feridos.

O Presidente apelou ao diálogo e prometeu reformas, mas nada avançou sobre as mesmas, tendo apenas dito ter pedido ao primeiro-ministro Jean-Henri Céant que "explique e aplique rapidamente medidas para aliviar a miséria" em que vive a população haitiana.

Mas o seu discurso de 7 minutos em crioulo, apenas atiçou a ira da população, face a um poder que nada faz na luta contra a pobreza e a corrupção que minam Haiti.

A onda de contestação começou após a publicação no final de janeiro de um relatório do Tribunal de Contas sobre a gestão calamitosa e os possíveis desvios de milhares de milhões de dólares do programa Petrocaribe, lançado em 2005 pelo governo da Venezuela para fornecer petróleo a crédito e com baixas taxas de juro, a uma dezena de países das Caraíbas, dos quais Haiti beneficia desde 2008.

Os milhares de manifestantes que reclamam a demissão do Presidente Jovenel Moïse, pedem precisamente a criação de uma comissão de inquérito independente sobre este fundo, que já implicou cerca de 15 antigos ministros e altos funcionários do Estado e sobretudo a empresa Agritrans, criada em 2014 e e dirigida por Jovenel Moïse em 2015, quando beneficou de um empréstimo do governo de 6 milhões de dólares, para um projecto de reabilitação de uma estrada, cujo contrato não foi encontrado pelos juízes que efectuaram a auditoria.

Os Estados Unidos e o Canadá ordenaram o repatriamento de Haiti do seu pessoal diplomático não necessário e de suas respectivas famílias e o Canadá encerrou mesmo a sua embaixada por tempo indeterminado.

Esta quarta-feira ((13/02) o movimento cívico anti corrupção Petro Chalengers publicou um questionário inédito nas redes sociais, elaborado pelo colectivo "Nou pap domi" o que significa em tradução liberal "nós não dormimos", ou "estamos vigilantes", pedindo a todos os haitianos, inclusivé na diáspora, que participem colectivamente numa reflexão sobre uma solução política, para a saída da crise que Haiti atravessa.

André Michel um dos principais líderes da oposição pede mesmo à polícia que "prenda Jovenel Moïse que representa um perigo e uma ameaça para cada cidadão haitiano".

Haiti que não se recompôs desde o terrível terramoto de Janeiro de 2010, é o país mais pobre do continente americano, onde 60% da população vive abaixo do limiar da pobreza e em termos de corrrupção, figura na posição 161 nos 180 países analisados pela ong Transparência Internacional, mais de metade da população tem menos de 25 anos, mas a juventude é obrigada a viver de pequenos expedientes no mercado informal ou tentar emigrar.

Esta é a principal crise desde 2008, constata o economista haitiano Etzer Émile, numa referência às revoltas contra a fome que assolaram todo o Haiti.

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