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França

Comissão de Inquérito lapidar com Benalla já na prisão

Alexandre Benalla, antigo conselheiro de segurança e logística do Presidente francês Emmanuel Macron.
Alexandre Benalla, antigo conselheiro de segurança e logística do Presidente francês Emmanuel Macron. REUTERS/Charles Platiau

A comissão senatorial de inquérito sobre o caso Benalla divulgou as suas conclusões, considerando que houve um disfuncionamento de vulto no lugar cimeiro do Estado e que a segurança do Presidente bem com os interesses do país "foram colocados em causa". Neste âmbito, a comissão pediu numa carta dirigida ao presidente do senado que seja encaminhada uma acção contra Alexandre Benalla bem como Vincent Crase, também ao serviço do partido presidencial, sob suspeita de terem mentido nos seus depoimentos. Ambos passaram ontem a sua primeira noite na prisão.

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Colocados ontem em detenção provisória depois de a justiça ter considerado que não respeitaram as suas obrigações no âmbito do controlo judiciário de que são alvo desde finais de Janeiro, após a sua inculpação formal pelas violências do passado 1 de Maio contra manifestantes, Alexandre Benalla e Vincent Crase, seu parceiro e também próximo colaborador do executivo, poderiam também enfrentar na justiça a acusação de terem mentido à comissão senatorial de inquérito.

Efectivamente, ao recordar que mentir a uma comissão de inquérito parlamentar é passível de uma pena de 5 a 7 anos de prisão, os membros da comissão reclamaram numa carta enviada ao presidente do senado, Gerard Larcher, uma acção neste sentido e pediram ainda que se abra a via a verificações pela justiça às "incoerências" e "lacunas" que dizem ter constatado nos depoimentos de outros três próximos colaboradores do Presidente da República, o Secretário-geral do Eliseu Alexis Kohler, o chefe de gabinete Patrick Strzoda bem como o chefe do grupo de segurança da Presidência, Lionel Lavergne.

Entre as 13 preconizações contidas na sua carta, a comissão de inquérito recomendou o "fim das colaborações oficiosas" do Presidente da República e deu conta da sua incompreensão perante o que qualifica de "extrema indulgência da hierarquia de Alexandre Benalla" depois de ter tomado conhecimento dos factos que lhe são imputados. Apontando o dedo aos "poderes excessivos deixados a um colaborador sem experiência", a comissão também constatou uma "séria falta de precauções na prevenção de conflitos de interesses de certos colaboradores", em referência ao chamado "contrato russo".

Com efeito, os senadores consideram que Benalla não só mentiu sobre o seu verdadeiro papel junto do Presidente como também mentiu sobre o contrato de segurança alegadamente passado por ele e Vincent Crase em Junho quando ainda estavam em funções junto do executivo, com um oligarca russo, Iskander Makhmudov. Uma gravação divulgada em Janeiro pelo jornal on-line Mediapart tende a confortar esta hipótese.

Estes novos desenvolvimentos não deixaram de suscitar desde já comentários no microcosmo politico francês. O líder da França insubmissa, Jean-Luc Mélenchon ironizou sobre uma "República das Bananas Em Marcha", o porta-voz do lado do Partido Socialista, Boris Vallaud falou em "Sanções insuficientes e não efectivas" enquanto do lado dos Republicanos saudou a a acção da comissão senatorial de inquérito que "fez o seu trabalho" e "foi até ao fim" e do lado do partido presidencial, a porta-voz Aurore Bergé considerou que a comissão de inquérito "quis fazer politica " e criou "um precedente perigoso".

Desde o 18 de Julho, dia em que o jornal "Le monde" divulgou um vídeo mostrando Alexandre Benalla, então responsável da segurança do Presidente, a espancar manifestantes no dia 1 de Maio, o doravante conhecido "Caso Benalla" tem sido um autêntico sismo com múltiplas réplicas sobre a presidência de Emmanuel Macron já a braços com a crise dos "Coletes amarelos", este caso sendo qualificado por alguns como sendo um "Escândalo de Estado".

Logo após ter estalado, o caso levou à criação de uma comissão de inquérito da Assembleia Nacional, dominada pelos deputados do partido presidencial. A comissão acabou, ao fim de alguns dias, por suspender os seus trabalhos e não tornou a reunir-se. O senado, de maioria republicana na oposição, formou então a sua própria comissão de inquérito. Ao longo de seis meses, ela ouviu 40 personalidades durante 34 audiências.

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