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Japão

Japão: Carlos Ghosn bate no fundo

Carlos Ghosn ao deixar a prisão de Tóquio depois do pagamento de fiança.
Carlos Ghosn ao deixar a prisão de Tóquio depois do pagamento de fiança. REUTERS/Issei Kato

Carlos Ghosn, antigo PCA do consórcio franco-japonês Renault-Nissan-Mitsubishi foi esta segunda-feira definitivamente revogado do cargo de administrador da Nissan e substituido por Jean Dominique-Senard

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Esta demissão ocorreu esta segunda-feira ( 8/04) na primeira reunião dos mais de 4 mil accionistas da Nissan desde a detençao a 19 de Novembro do empresário franco-brasileiro-libanês de 65 anos, que desde 6 de Março se encontra em regime de liberdade sob fiança, mas que foi de novo detido na passada quinta-feira (4/04) na sequência de novas suspeitas de sonegação financeira, desta vez relativas à transferência de 15 milhões de dólares de fundos da Nissan entre finais de 2015 e meados de 2018 a um revendedor em Omã, através de esquemas sofisticados para ocultar o dinheiro, a justiça nipónica afirma tê-lo preso devido ao "risco de destruição de provas".

Foi ainda aprovada nesta mesma reunião a sua substituição por Jean Dominique-Senard e demitido também por acusação de fraude o cidadão norte-americano Greg Kelly, que durante vários anos foi um dos principais auxiliares de Carlos Ghosn no seio do consórcio.

Carlos Ghosn ficará detido pelo menos até 14 de Abril e continua a negar as acusações de que é alvo no Japão: alegado desvio de 80 milhões de dólares através de manobras para esconder os recursos aos próprios accionistas, declarações falsas sobre os seus rendimentos e tentativa de transferência para a Nissan de dívidas pessoais.

Entretanto a sua esposa Carole Ghosn que residia em Tóquio desde a sua detenção, decidiu este domingo (7/04) abandonar o país porque segundo ela, "se sentia em perigo", evitando assim depor perante a justiça nipónica, dado que segundo a agência de notícias Kyodo, ela dirige uma das empresas que serviram para transferir discretamente recursos em benefício de Carlos Ghosn.

Apesar de a polícia japonesa lhe ter confiscado o passaporte libanês, ela viajou para França com o passaporte norte-americano, tendo sido acompahada até ao aeroporto pela embaixador de França em Tóquio.

Carole Ghosn, que a conselho da sua advogada, recusou assinar um documento em japonês durante a prisão do seu marido, diz estar em posse de uma gravação na qual Carlos Ghosn "designa os responsáveis pelo que lhe está a acontecer e que esta será transmitda em breve".

De recordar que pouco antes da sua segunda detenção a 4 de Abril, Carlos Ghosn deu uma entrevista ao canais televisivos franceses TF1, LCI na qual afirmou ser vítima de uma conspiração e estar em posse dos nomes dos visados que se opunham à integração entre a Nissan e a Renault.

Ele pediu ainda ajuda à França, cujo chefe da diplomacia Jean-Yves Le Drian afirmou este sábado (6/04) ter pedido ao seu homólogo japonês Taro Kono que garantisse o direito de aplicação da protecção consular e de presunção de inocência em relação ao ex PCA da Renault-Nissan.

De recordar ainda que um dia antes da sua segunda detenção Carlos Ghosn anunciou que dia 11 de Abril daria uma conferência de imprensa para e cito "contar a verdade sobre o que está a acontecer".

Entretanto esta segunda-feira as acções da Renault perderam 0,74%.

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