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Reino Unido

Detenção de Julian Assange, fundador do WikiLeaks

Julian Assange, hoje dia 11 de Abril de 2019, aquando da sua detenção.
Julian Assange, hoje dia 11 de Abril de 2019, aquando da sua detenção. REUTERS/Henry Nicholls

Foi detido hoje na embaixada do Equador em Londres o australiano Julian Assange, 47 anos, fundador do WikiLeaks, portal internet que que lhe valeu nomeadamente a inimizade dos Estados Unidos embaraçados com a divulgação de documentos secretos há uma dezena de anos.

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Depois de sete anos refugiado na embaixada do Equador na capital da Grã-Bretanha, Julian Assange, foi hoje detido pela polícia britânica duas vezes. A primeira foi relativa a uma infracção por se ter recusado a ser extraditado em 2012 para a Suécia, onde era acusado de crimes sexuais num processo que entretanto prescreveu. Presente a um tribunal esta tarde, declarou-se inocente, mas foi considerado culpado de violação das condições da sua liberdade provisória e poderá passar até 12 meses na prisão.

A segunda detenção resultou de um pedido de extradição dos Estados Unidos por conspiração ao infiltrar-se nos sistemas informáticos do país, este processo podendo vir a prolongar-se durante muito mais tempo. Assange já tinha sido alertado para o risco de ser perseguido pelas autoridades norte-americanas devido ao mal-estar que causou nomeadamente quando publicou em 2010 milhares de documentos confidenciais, incluindo relatórios militares e telegramas diplomáticos relacionados com as acções dos americanos no Afeganistão e no Iraque.

Se for extraditado para os Estados Unidos, Assange poderia enfrentar acusações de espionagem passíveis de uma pena de prisão perpétua, uma eventualidade que deverá ser analisada numa próxima audiência no dia 2 de Maio mas que, desde já, Assange vai "contestar e combater", afirmou hoje a sua advogada Jennifer Robinson.

A detenção de Julian Assange está longe de fazer a unanimidade: o portal WikiLeaks acusou nas redes sociais o Equador de ter "ilegalmente posto fim ao asilo político concedido a Julian Assange, em violação do Direito Internacional" e de ter "convidado" a polícia britânica a entrar na sua embaixada. Também apoiantes de Assange, Moscovo acusou Londres de "estrangular a liberdade" e o antigo Presidente do Equador, Rafael Correa, qualificou de "traidor" o seu sucessor, Lenin Moreno.

Durante vários anos, a WikiLeaks foi considerada um bastião da liberdade de expressão e ajudou a expor muitas injustiças. Mas nos últimos anos, Assange tornou-se num fugitivo. Herói ou justiceiro, acabou por ser preso porque, considerou a Primeira-ministra britânica, Theresa May, "ninguém está acima da lei". Mais pormenores com Bruno Manteigas.

Bruno Manteigas, correspondente da RFI em Londres

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