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IRÃO

Irão: intempéries espalham morte e destruição

Vista aérea na província iraniana de Khuzestan a 5 de Abril de 2019.
Vista aérea na província iraniana de Khuzestan a 5 de Abril de 2019. Mehdi Pedramkhoo/Tasnim News Agency/via REUTERS

No Irão após décadas de seca o país defronta-se actualmente com o maior desatre dos últimos quinze anos segundo o Crescente vermelho. Este organismo estima que 2 milhões de pessoas precisam actualmente de ajuda, ou seja um em cada 40 iranianos. Os estragos são avultados e poderiam ter consequências a longo prazo, pelo menos 76 pessoas morreram.

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Mansooreh Bagheri do Crescente vermelho iraniano, em declarações a Oriane Verdier, com tradução de Carina Branco, relatou o estado actual do Irão a braços com cheias de uma dimensão histórica.

"Na sequência de chuvas torrenciais desde 16 de Março tivemos que enfrentar três vagas de inundações nestas últimas semanas. A primeira vaga de cheias afectou, sobretudo, duas províncias do Norte, a segunda foi de menor importância, mas a terceira acaba de assolar o sul do país. Sempre que isto ocorre evacuamos sempre as localidades, mas trata-se de algo às vezes complicado convencer as pessoas a deixar as suas casas. O grande problema é que em certas áreas a água fica estagnada e não desaparece. Haverá, por isso, estragos avultados nas infra-estruturas, mas também na agricultura e no dia-a-dia dos habitantes."

As cheias têm assolado o Irão desde há cerca de 20 dias, os estragos cifram-se em mais de dois mil milhões de euros.

Cerca de 725 pontes caíram, 14 000 quilómetros de estradas foram parcial ou totalmente condicionados, centenas de milhar de pessoas tiveram que ser evacuadas das respectivas localidades.

A Federação internacional da Cruz vermelha e do crescente vermelho anunciou um apelo de emergência de 5,1 milhões de francos suíços.

A região do Sudoeste, nomeadamente as províncias de Khouzestan e Ilam, foram as últimas a ser assoladas pelas intempéries, e desde sábado passado foi o Leste, essencialmente desértico, a sofrer do mesmo mal.

O ministro da administração interna, Abdolréza Rahmani Fazli, declarou neste domingo no parlamento que 25 das 31 províncias foram afectadas pelas inundações, avaliando os estragos entre 300 000 e 350 000 riais (entre 1,93 e 2,25 mil milhões de euros segundo o câmbio do mercado livre).

De acordo com a agência iraniana Isna, citada pela francesa AFP, o fenómeno ficar-se-ia a dever às alterações climáticas e ao aquecimento do planeta, segundo declarações de Sahar Tajbakhch, o chefe da meteorologia nacional.

Tal não significaria, porém, o fim da seca crónica que assola o Irão.

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