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França

Precariedade do emprego aumenta desigualdades em França

O relatório revela que os 10% de franceses mais favorecidos ganham cerca de 9 vezes mais do que a faixa da população vivendo abaixo do limiar da pobreza.
O relatório revela que os 10% de franceses mais favorecidos ganham cerca de 9 vezes mais do que a faixa da população vivendo abaixo do limiar da pobreza. Marlene Awaad/Bloomberg via Getty Images

O Observatório da Desigualdades em França publicou ontem o seu 3° relatório sobre os fossos crescentes que fracturam a sociedade francesa. A última edição deste documento produzido de dois em dois anos indica que a precariedade do emprego, em aumento em França desde 2014, faz crescer os riscos de desigualdade.

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A pobreza em França é alimentada pela "precariedade do emprego" segundo este documento indicando que a proporção de trabalhadores com contratos temporários passou de 12% em 2007 para 13,6% em 2017. Esta tendência continua em aumento nos últimos três anos, aponta ainda o observatório, segundo o qual, cerca de 8 milhões de pessoas, ou seja uma pessoa activa em 4 se encontra em situação de "deficiência de emprego", ou seja, contrato temporário, desemprego periódico ou de longa duração.

Apesar da taxa de pobreza em França (situada nos 6,8%) estar entre as mais baixas da Europa, à frente de países como a Alemanha ou o Reino Unido (com uma taxa de 10%), o observatório refere que entre 2006 e 2016, o número de pessoas vivendo abaixo do limiar da pobreza, fixado em 50% do rendimento médio, passou de 4,4 para 5 milhões, ou seja 600 mil pobres suplementares no espaço de dez anos. Este número ascende a quase 9 milhões de pobres, quando o limiar da pobreza é fixado em 60% do rendimento médio que, em 2016, ano das últimas estatísticas na matéria, era fixado em 855 Euros por pessoa.

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Paralelamente, o relatório revela que os 10% de franceses mais favorecidos ganham cerca de 9 vezes mais do que a faixa da população vivendo abaixo do limiar da pobreza. Para além do rendimento, as desigualdades traduzem-se também no acesso à saúde, educação, alojamento e esperança de vida. Com efeito, segundo o observatório, os homens com maiores recursos financeiros têm em média uma esperança de vida de 84 anos enquanto a expectativa se situa nos 72 anos para os homens mais pobres.

Ao evocar um sentimento de "desprezo social" que prevalece no seio da "França da insegurança social, dos trabalhadores e dos operários pouco ou nada qualificados, dos "uberizados", dos independentes que, em boa parte, animaram as manifestações dos coletes amarelos", o Observatório das desigualdades, tece um alerta sobre a desregulamentação contínua da legislação laboral e das consequências que o aumento das desigualdades faz pesar sobre a sociedade, nomeadamente a subida da extrema-direita.

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