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Brasil

"Lava Jato" foi manobra para afastar Lula do poder, diz "The Intercept"

Sérgio Moro, ministro brasileiro da justiça, é directamente visado pelas revelações do site informativo "The Intercept".
Sérgio Moro, ministro brasileiro da justiça, é directamente visado pelas revelações do site informativo "The Intercept". Sergio Moro Facebook

O edição brasileira do jornal on-line de investigação "The Intercept" começou ontem a publicar os primeiros capítulos de um inquérito com base em fugas de informação dando crédito à possibilidade de que os procuradores que conduziram a vasta operação anticorrupção "Lava Jato" tenham secretamente colaborado com o conhecido juiz Moro, que entretanto se tornou ministro do executivo de Bolsonaro, com vista nomeadamente a impedir o regresso do ex-presidente Lula ao poder, acusações logo desmentidas pelos interessados.

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Produzidas, segundo o site de investigação jornalística, a partir de mensagens privadas, gravações áudio, vídeos, fotos, documentos judiciais e outros dados transmitidos por uma fonte anónima, as três primeiras reportagens publicadas sustentam a tese segundo a qual o actual Ministro da Justiça do Brasil, o antigo juiz Moro, teria deixado de parte a obrigação de imparcialidade ao fornecer indicações e conselhos aos procuradores da operação "Lava Jato" no respeitante ao antigo presidente Lula da Silva.

Nestas reportagens, "The Intercept" divulga nomeadamente mensagens que teriam sido trocadas entre os procuradores falando abertamente do intento de afastar Lula da corrida às presidenciais do ano passado no Brasil, uma eleição em que era inicialmente dado como favorito.

Estas mensagens, segundo "The Intercept", revelam ainda que alguns membros da acusação tinham dúvidas sobre a eventualidade de ter provas suficientes para condenar Lula que actualmente está a cumprir uma pena de prisão de 8 anos e 10 meses -uma pena recentemente revista- após ter sido considerado culpado num caso de obtenção de um apartamento de luxo a troco de favores políticos.

A serem confirmados, estes comportamentos que "The Intercept" qualifica de "antiéticos" podem constituir segundo o site informativo um "escândalo generalizado" envolvendo "diversos oligarcas, lideranças políticas, os últimos presidentes e até mesmo líderes internacionais acusados de corrupção", refere ainda o jornal.

Reagindo hoje em comunicado, ao alegar que os dados publicados foram obtidos através de pirataria informática, a equipa de procuradores do "Lava Jato" refere que "nenhum pedido de esclarecimento ocorreu antes das publicações, o que surpreende e contraria as melhores práticas jornalísticas".

Utilizando o mesmo argumento hoje no Twitter, o Ministro da Justiça, Sérgio Moro, lamenta quanto a si "a falta de indicação de fonte de pessoa responsável pela invasão criminosa de celulares de procuradores" e considera ainda que no conteúdo das mensagens em que é citado "não se vislumbra qualquer anormalidade ou direccionamento da sua actuação enquanto magistrado".

Mais pormenores aqui.

Minimizando também a alçada destas revelações, o antigo Presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso falou quanto a si em "tempestade num copo de água". Já do outro lado do xadrez político, Fernando Haddad, antigo candidato às presidenciais no ano passado pelo PT após a inviabilização da candidatura de Lula, reclamou a abertura de um inquérito sobre aquilo que a seu ver "poderia ser o maior escândalo institucional da República".

A publicação ontem destas informações poderia contudo ainda fazer escorrer muita tinta. Na sua nota de preâmbulo, o jornalista americano e co-fundador do "The Intercept", Glenn Greenwald, que já no passado publicou as revelações de Edward Snowden sobre os serviços de segurança americanos, avisou que "esse é apenas o começo do que se pretende tornar uma investigação jornalística contínua das acções de Moro" e dos outros intervenientes da operação "lava jato".

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