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INTERNACIONAL

Japão: as desavenças mundiais no G20

G20 reunido no Japão
G20 reunido no Japão Reuters

Trump pede a Merkel para se juntar aos EUA contra o Irão e a Putin, em tom sarcástico, para não interferir nas eleições norte-americanas. Macron quer aproveitar o G20 para conquistar aliados no combate às alterações climáticas.

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A cimeira do G20, que decorre esta sexta-feira e sábado, no Japão será palco para uma tentativa de diminuir a tensão entre os Estados Unidos e o Irão, que tem vindo a aumentar nas últimas semanas depois das forças iranianas terem abatido um drone norte-americano.

Donald Trump é, por isso, por esta altura, o líder mundial onde recaem todas as atenções e o qual parece não estar a dar sinais de querer abrandar a escalada de tensão.

Pelo menos, a analisar pela reunião bilateral que manteve com a chanceler alemã, Angela Merkel, a quem pediu para que a Alemanha se junte aos norte-americanos para "manter o Irão sobre máxima pressão".

Foi a própria Casa Branca, através da rede social Twitter, que após a reunião anunciou que "O Presidente pediu para que a chanceler Merkel se junte aos Estados Unidos para manter o Irão sob máxima pressão global".

É que Berlim foi uma das cinco potências que assinaram o pacto nuclear de 2015 e que pediu aos iranianos para que não se retirassem do acordo, mesmo com as sanções impostas por Washington. No entanto, Teerão já fez saber que os iranianos vão ultrapassar os 300 quilos de reservas enriquecidas de urânio, o máximo estabelecido pelo acordo.

Em cima da mesa da reunião com Merkel, esteve também a guerra comercial com a China, de forma a "estabelecerem-se padrões justos para o comércio global", disse ainda a Casa Branca em comunicado.

Trump terá também um encontro bilaterial com o homólogo chinês para tentar pôr um ponto final à guerra comercial, depois das negociações falhadas de maio passado. No entanto, para já, é de notar o encontro com o presidente russo, Vladimir Putin, o primeiro desde que o procurador Robert Mueller concluiu que a Rússia tentou interferir nas eleições que levaram Trump à Casa Branca.

Quando o presidente norte-americano foi questionado pelos jornalistas se falaria com Putin sobre a ingerência russa, Trump virou-se para o homólogo russo e disse em tom sarcástico: "Não interfira nas eleições". O responsável americano fez questão de sublinhar que mantém um bom relacionamento com o homólogo russo.

Do lado francês, no entanto, Emmanuel Macron parece querer dar um tom mais sério ao encontro de líderes mundiais. "Nós não temos o direito de ter um G20 inútil", disse o presidente fracês, que vai ao encontro de líderes com o objectivo de mobilizar o maior número de países para a causa climática.

Antes do encontro bilateral com o presidente brasileiro, Macron tinha ameaçado não assinar nenhum acordo comercial com o Brasil caso o Brasil se retirasse do acordo do clima de Paris. A ameaça poderia colocar mesmo um entrave nos trabalhos das negociações entre a União Europeia e o Mercosul.

Poderia, porque, entretanto, depois do encontro bilateral entre Macron e Bolsonaro, no Japão, o presidente brasileiro já fez questão de assinalar que o Brasil se vai manter no acordo de Paris e esperar, por isso, apoio do chefe de Estado gaulês no acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul.

O G20 vai reunir entre hoje e sábado um grupo de 19 países (Alemanha, África do Sul, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Reino Unido, Rússia e Turquia) e a União Europeia. No seu conjunto, o G20 representa 85% do PIB de todo o mundo e dois terços da população global. 

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