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Brasil

Bolsonaro torna a reclamar pedido de desculpas de Macron

O Presidente brasileiro Jair Bolsonaro no palácio presidencial em Brasília neste 28 de Agosto de 2019.
O Presidente brasileiro Jair Bolsonaro no palácio presidencial em Brasília neste 28 de Agosto de 2019. EVARISTO SA / AFP

Continuam os violentos incêndios na Amazónia, com mais de 1660 novos fogos recenseados nas últimas 24 horas só na parte brasileira da floresta. Enquanto isso, depois de ter mostrado ontem abertura para receber a ajuda de 20 milhões de Dólares do G7 para combater os incêndios, com a condição de o governo brasileiro controlar a gestão dos fundos, o Presidente brasileiro Jair Bolsonaro voltou hoje a condicionar qualquer discussão a um pedido de desculpas por parte do Presidente francês que o acusou de ter mentido sobre o seu empenho em lutar contra a desflorestação.

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"No tocante ao governo francês, o facto de me chamar de mentiroso e por duas vezes falar que a soberania da Amazónia tem de ser relativizada, somente após ele se retractar do que falou no tocante à minha pessoa (...) aí sem problema algum voltamos a conversar" eis o que declarou Bolsonaro aos jornalistas hoje ao anunciar, por outro lado, a organização a 6 de Setembro de uma reunião dos dirigentes da América do Sul, com excepção da Venezuela, para elaborar uma estratégia comum de defesa da Amazónia.

Estes posicionamentos surgem numa altura em que a crise entre Brasília e Paris está consumada desde a cimeira do G7 em Biarritz, no sudoeste de França, no passado fim-de-semana, após Emmanuel Macron reclamar um maior empenho do Brasil na protecção do meio ambiente, sob pena de retirar o seu apoio ao acordo de livre-comércio alcançado recentemente entre o Mercosul e a União Europeia ao cabo de 20 anos de discussões renhidas. Por esta ocasião, o chefe de Estado francês se interrogou igualmente sobre a eventualidade de se conferir um estatuto internacional à floresta amazónica, no caso de os dirigentes regionais tomarem medidas prejudiciais para aquele que é considerado o "pulmão verde do planeta", um rastilho que suscitou a ira de Brasília.

O certo é que esta polémica que ganhou contornos internacionais não deixou, entre outras coisas, de fazer emergir à luz do dia a falta de meios com que se depara o sector da protecção do meio ambiente no Brasil. O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, um dos organismos federais responsáveis por esta área, contabiliza um pouco mais de 3 mil funcionários, sendo que apenas uns 500 se encontram concretamente no terreno. Para Jean-Yves Carfantan, francês fundador da Agrobrasconsult, em São Paulo, é preciso uma "mudança radical" na política ambiental do Brasil, este consultor mostrando-se também pessimista quanto às consequências que esta crise pode ter a nível económico, perante eventuais boicotes comerciais e diminuições de produção.

Refira-se a este respeito que já ontem, cerca de 18 marcas de roupa e calçado internacionais, nomeadamente a Timberland, Kipling, Vans, Eastpack, JanSport, The North Face e Napapijri anunciaram a sua intenção de suspender a aquisição de couro do Brasil em reacção às queimadas na Amazónia, segundo informações veiculadas hoje nos órgãos de comunicação social locais.

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