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Hong Kong/China/EUA

Hong Kong: Carrie Lam vaiada e evacuada do parlamento

Deputados pró-democracia projectaram no parlamento a 16 de Outubro a inscrição "cinco exigências, nem uma a menos"
Deputados pró-democracia projectaram no parlamento a 16 de Outubro a inscrição "cinco exigências, nem uma a menos" 电视画面截图

Em Hong Kong a chefe do governo Carrie Lam foi hoje obrigada a interromper o seu discurso de politica geral no Conselho Legislativo, do qual foi evacuada pelas forças da ordem, depois de ter sido vaiada por deputados pró-democracia.

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Carrie Lam foi interrompida duas vezes na manhã desta quarta-feira, quando tentava discursar no intuito precisamente de apaziguar e tentar recuperar a confiança da população, após mais de quatro meses de protestos sem precedentes.

Embora minoritários, os deputados pró-democracia criaram o caos no parlamento, o que obrigou as forças da ordem a evacuar Carrie Lam, que foi vaiada, enquanto os deputados exibiam cartazes mostrando-a com sangue nas mãos e projectavam uma imagem na qual se podia ler cito "cinco exigências, nem uma a menos".

O seu discurso pré-gravado, foi pouco depois transmitido em vídeo-conferência e ela prometeu, entre outros, ajudas financeiras, designadamente em termos de habitação, sendo que nesta região administrativa especial da China as rendas de casa são das mais elevadas no mundo.

Carrie Lam que exclui demitir-se, assumiu que as medidas de emergência instauradas, visam conter a vaga de violência, e garantiu que não vai tolerar qualquer acção reivindicando a independência de Hong Kong, ou que atente contra os intereses económicos desta região semi-autónoma.

Os protestos começaram, recorde-se, no inicio de Junho e inicialmente de forma pacífica, devido à proposta de emendas à lei da extradição - entretanto retirada - que permitiria extraditar para a China continental suspeitos de crimes e desde logo se transformou num vasto movimento anti-governamental e exigindo reformas democráticas.

Entretanto o governo adoptou uma lei de emergência datando da era colonial, que criminaliza o uso de máscaras em manifestações, uma medida que fez disparar a violência por parte de alguns grupos radicais.

Mas à reivindicação inicial de revogação da lei de extradição, foram acrescentadas quatro outras: a libertação de todos os manifestantes detidos, que as acções de protesto deixem de ser consideradas como motins, um inquérito independente à violência policial e finalmente a eleição por sufrágio universal do Chefe do Governo e do parlamento.

Carrie Lam rejeitou hoje categoricamente duas das cinco reivindicações, pois segundo ela a amnistia dos manifestantes detidos é ilegal e a instauração do sufrágio universal ultrapassa as suas prerrogativas.

Os manifestantes pró-democracia denunciam a cada vez maior ingerência da China, bem como ameaças ao sistema de "um país dois regimes" e à autonomia económica de que a regiao de Hong Kong continua a usufruir, desde a transferência da sua soberania do Reino Unido para a China a 1 de Julho de 1997.

A polícia é acusada de uso excessivo de força, enquanto as autoridades condenam as tácticas violentas de alguns grupos de manifestantes apelidados de radicais.

Este novo episódio agrava a clivagem na sociedade de Hong Kong, onde os manifestantes apelam a sair às ruas de novo no próximo domingo (20/10) e esta quarta-feira (16/10) Jimmy Sham, dirigente da Frente Civil dos Direitos Humanos e um dos líderes da contestação ao governo de Carrie Lam, foi barbaramente atacado à martelada, por individuos até agora desconhecidos e foi hospitalizado gravemente ferido na cabeça.

Estados Unidos reagem

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, dominada pelos Democratas, aprovou projectos de lei - que ainda têm que ser aprovados pelo Senado, dominado pelos Republicanos - que condenam a ingerência de Pequim em Hong Kong, prevêm sanções caso Pequim não respeite as liberdades civis, reforçam o apoio em relação aos direitos humanos face aos interesses comerciais chineses, prometem uma reavaliação anual do estatuto particular que os Estados Unidos concedem a Hong Kong em termos comerciais, prevendo sanções contra responsáveis chineses e ainda a proibição de que armas norte-americanas sejam usadas para reprimir os manifestantes.

A China reagiu esta quarta-feira (16/10) com "profunda indignação a esta ingerência externa" e o porta-voz da diplomacia chinesa Geng Shuang advertiu que "caso esta lei entre em vigor, não só prejudicará os interesses da China e das suas relações com os Estados Unidos, mas também prejudicará gravemente os interesses dos Estados Unidos" e acrescentou que "o desafio de Hong Kong nada tem a ver com direitos humanos ou democracia, pois a questão crucial é pôr fim à violência, garantir a ordem e restabelecer o Estado de Direito".

Também e na mesma linha de Pequim, o governo de Hong Kong reagiu e "lamentou" a aprovação desta lei, afirmando que "desde o seu regresso à pátria, a região exerceu um alto nível de autonomia" e "garantiu direitos e liberdades aos seus cidadãos, impensáveis na China".

Por sua vez Guri Melby, deputada do Partido Liberal do Reino da Noruega, que é membro da coligação no poder, propôs que os "povo de Hong Kong seja nomeado para o Prémio Nobel da Paz em 2020.

 

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