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Camboja

Camboja: processo de opositor sob alta vigilância internacional

O opositor cambojano Kem Sokha no seu primeiro dia de audiência neste 15 de Janeiro de 2020 em Phnom Penh.
O opositor cambojano Kem Sokha no seu primeiro dia de audiência neste 15 de Janeiro de 2020 em Phnom Penh. REUTERS/Stringer

Começou hoje em Phnom Penh, capital do Camboja, o processo por "traição" do opositor Kem Sokha, acusado de tentar derrubar o governo de Hun Sen, no poder no Camboja desde 1985. Neste processo no qual a comunidade internacional vê "motivações politicas", Kem Sokha incorre até 30 anos de prisão.

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"Quero que a justiça seja feita rapidamente, no intuito de poder concentrar-me sobre os problemas do povo cambojano" declarou o opositor hoje no final do primeiro dia de um processo que, segundo os seus advogados, poderia durar até 3 meses, Kem Sokha vincando ainda que "não existe nenhuma prova" contra ele.

Figura emblemática da oposição, antigo deputado e senador, co-fundador do Partido de Salvação Nacional do Camboja, formação que obteve bons resultados nas eleições de 2013 antes de ser dissolvido pelo Supremo Tribunal em 2017, alguns meses antes das legislativas de 2018 em que o poder instalado consolidou a sua posição, Kem Sokha, 66 anos, foi detido em 2017 designadamente sob a suspeita de conluio com entidades estrangeiras, acusações desmentidas pelo interessado.

O campo adverso, contudo, declara dispor de 27 testemunhos e de um grande número de elementos contra ele, nomeadamente um vídeo rodado em 2013, em que Kem Sokha, então em deslocação na Austrália refere perante os seus apoiantes estar a trabalhar juntamente com institutos americanos para reforçar a democracia no seu país. Para a oposição, isto não passa de uma tentativa do poder de Hun Sen de eliminar politicamente Kem Sokha.

Um ponto de vista partilhado pela Amnistia Internacional que qualifica este julgamento de "paródia de justiça", enquanto o Departamento de Estado Americano refere que o dossier contra o opositor "parece estar motivado por considerações políticas".

A União Europeia, destinatária em 2018 de 45% das exportações do Camboja, também não esconde o seu cepticismo e tem vindo a exercer pressões sobre o regime de Hun Sen com vista a democratizar o país, sob pena de se optar pelo fim das tarifas aduaneiras vantajosas de que o Camboja tem beneficiado nas suas transacções com a Europa. Em Fevereiro, a Comissão Europeia deveria examinar a continuidade deste dispositivo. Em caso de suspensão deste acordo, segundo o Banco Mundial, a economia deste país poderia perder mais de 590 milhões de Euros.

Mais pormenores aqui.

 

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