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Alemanha

Alemanha: 9 mortos em ataques possivelmente racistas

Flores forram colocadas nos locais dos atentados em homenagem às 9 pessoas que foram mortalmente baleadas da noite passada em Hanau, na Alemanha.
Flores forram colocadas nos locais dos atentados em homenagem às 9 pessoas que foram mortalmente baleadas da noite passada em Hanau, na Alemanha. REUTERS/Ralph Orlowski

Em Hanau, perto de Frankfurt, dois bares de narguilé muito frequentados por imigrantes turcos, foram alvo na noite passada de atentados nos quais morreram 9 pessoas, entre as quais turcos e curdos. Ao chegar à casa do suspeito, a polícia encontrou-o sem vida, juntamente com outro cadáver. As autoridades acreditam que poderá ter-se tratado de um acto de racismo.

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A Alemanha acordou esta quinta-feira com a notícia de mais uma tragédia de violência racista. Na cidade alemã de Hanau,Tobias R, alemão de 43 anos, matou a tiro nove pessoas consecutivamente em dois estabelecimentos frequentados sobretudo por imigrantes de origem turca e curda.

Horas após o crime, a polícia descobriu o corpo do suposto atirador no seu apartamento e forças especiais encontraram outra pessoa morta, uma mulher de 72 anos, aparentemente a mãe do agressor.

De acordo com o diário alemão "Bild", para além de ter sido encontrado no veículo do atirador munições e revistas especializadas em armamento, ele terá deixado uma carta na qual expressa as suas posições de extrema-direita, assim como um vídeo no qual reivindica a responsabilidade dos dois ataques. Até ao momento, as autoridades não confirmaram estas informações, apesar de admitirem privilegiar a tese dos atentados racistas.

Em conferência de imprensa hoje em Berlim, a chanceler alemã, Angela Merkel, condenou os ataques e garantiu que o Governo usará "todo o seu poder" para combater aqueles que tentam dividir o país em termos étnicos, salientando ainda que o "Racismo é um veneno que estaria presente na sociedade e que já é responsável por crimes demais.” Ao considerar que este é um “dia extremamente triste para o nosso país", Merkel disse sentir juntamente os alemães "a profunda dor pela morte violenta de tantos concidadãos na cidade de Hanau”. A chanceler assegurou ainda que "tudo será feito para investigar as circunstâncias dos terríveis assassínios", referindo que tudo indica que foram motivados por razões racistas de extrema-direita.

Mais pormenores com António Cascais.

Reagindo a estes ataques, a presidência turca disse "esperar que as autoridades alemãs façam o máximo para esclarecer esta situação" antes de rematar considerando que "o racismo é um cancro generalizado". No mesmo sentido, em comunicado, a Confederação das Comunidades Curdas de Alemanha expressou tristeza mas também raiva devido ao facto de os dirigentes da Alemanha não se oporem de forma decidida às redes e ao terrorismo de extrema-direita".

Por seu turno, ao dar igualmente conta da sua tristeza, o Presidente francês Emmanuel Macron expressou o seu "apoio total à Alemanha diante desse trágico ataque" e na sua luta "contra o ódio e o racismo".

Este duplo ataque ocorreu poucos dias depois das autoridades alemãs terem desmantelado uma "organização terrorista" de extrema-direita que estava a preparar atentados contra muçulmanos, migrantes e responsáveis políticos. Ainda no passado mês de Junho, Walter Lübcke, eleito local conhecido pelas suas posições pro-migrantes e membro do partido de Merkel, foi assassinado na sua residência presumivelmente por um neonazi. Mais tarde, em Outubro de 2019, o país foi abalado pelo ataque contra uma sinagoga em Halle, localidade do leste, cujo autor reconheceu ser anti-semita e aderir às ideias de extrema-direita.

De acordo com os serviços de inteligência alemães, o país contabiliza um pouco mais de 24 mil "extremistas de direita" cuja metade é considerada capaz de cometer ataques.

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