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Economias

Impacto do coronavírus na economia de Macau “está a ser brutal”

Áudio 11:11
Macau. 30 de Janeiro de 2020.
Macau. 30 de Janeiro de 2020. Philip FONG / AFP

Macau, a capital mundial do jogo com 40 milhões de turistas anuais, está a viver uma “travessia do deserto” devido às consequências do novo coronavírus. Um terço dos casinos reabriu esta semana, mas está tudo a meio gás. A economia está praticamente parada e “o impacto está a ser brutal”, de acordo com Bruno Simões, residente em Macau e empresário no sector da organização de eventos na Ásia. Bruno Simões tem o “negócio absolutamente a zero”, mas vai tentar “aguentar” o abalo dos prejuízos e encara o futuro “com muito optimismo”.

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O novo coronavírus já matou 2.236 pessoas na China continental, além de três pessoas no Japão, duas na região chinesa de Hong Kong, duas no Irão, uma nas Filipinas, uma em França, uma em Taiwan e uma na Coreia do Sul.

A economia mundial também foi “infectada” pelo coronavírus. O Fundo Monetário Internacional alertou que a epidemia já afectou o crescimento económico da China e a sua propagação a outros países poderá comprometer a retoma “muito frágil” esperada para este ano à escala mundial.

Entretanto, a agência de notação financeira Fitch defendeu que a almofada orçamental de Macau é suficientemente grande para resistir à pressão económica, mas que o desempenho económico de Macau será afectado em 2020.

A RFI falou com Bruno Simões, residente em Macau e empresário no sector dos “MICE” [organização de eventos] na Ásia. Para ele “o impacto na economia em Macau está a ser brutal”, estando com o seu “negócio absolutamente a zero”. Ainda assim, vai tentar “aguentar” o abalo dos prejuízos e encara o futuro “com muito optimismo”.

O nosso negócio está absolutamente a zero desde que começou esta crise e que ficou mediatizada no início de Fevereiro. Tudo o que tínhamos marcado foi cancelado e tudo o que tínhamos em perspectiva foi adiado ou cancelado. É uma situação que antecipamos durar uns meses, não sei, três a seis ou mesmo nove meses. Ninguém sabe quando é que esta paranóia e este medo que os clientes têm começa a melhorar”, começa por contar o empresário.

Com duas empresas a actuar em Macau, Hong Kong e na China continental, “os custos fixos são à volta de 30.000 euros”. Com “receita zero” e mesmo estando a trabalhar numa redução de custos, os prejuízos são fáceis de calcular: “20 a 25 mil euros vezes três meses, estamos a falar de 75.000 euros a 100.000 euros por esta crise. É o que estamos a antecipar em termos de prejuízo.”

Fechar portas não é uma opção: “O que é que eu vou fazer? Tenho estes activos aqui há 12 anos, acho que temos de atravessar mesmo este deserto. Quantas pessoas chegam lá ao outro lado não sabemos bem. Temos que nos aguentar e manter os activos com a maior tranquilidade e paciência e persistência. Na nossa equipa toda a gente percebe. Não é uma questão de má gestão, não é uma questão de má-fé. É uma questão que afecta toda a sociedade e toda a economia. Portanto, estamos todos no mesmo barco.

O impacto geral “está a ser brutal” na economia de Macau, “que vive do turismo com 40 milhões de turistas por ano, com cerca de 5 a 6 vezes do volume de negócios no jogo de Las Vegas”.

Tudo isso de repente está a zero porque fecharam basicamente as fronteiras para evitar a propagação do vírus, de maneira que o impacto está a ser enorme. Estamos a zero. Como a minha empresa, a zero, estão muitas pequenas e médias empresas. Os grandes casinos estão praticamente com receita zero. A Ásia e a China recuperam com uma velocidade fulminante, mas quando é que vai recuperar e a que ritmo, ninguém sabe”, continuou.

Por isso, encara o futuro “com muito optimismo” porque “conhecendo a Ásia e conhecendo a China, as coisas assim como descem abruptamente, sobem com a mesma velocidade e impacto”.

Além disso, “as reservas financeiras do governo de Macau dão para pagar o PIB dois ou três anos". "Podíamos estar sem fazer nada que o governo alimentava-nos a todos dois ou três anos. São umas reservas muito grandes”, afirma.

“O optimismo em geral existe, agora a incerteza permanece. Quando é que há o ponto de viragem e a que ritmo ninguém sabe”, descreve.

Após duas semanas de fecho, um terço dos casinos reabriu esta semana, nesta que é a capital mundial do jogo, mas faltam apostadores devido às restrições dos chineses para viajar. Então, porquê reabrir os casinos?

Porque a vida continua. São muitos milhares de pessoas que trabalham nos casinos e nos hotéis e em tudo o que está em redor. Não se pode estar fechado muito tempo. São estruturas enormes e as pessoas estão a ser pagas e também estão a aproveitar esta oportunidade para fazerem obras, para fazerem acções de formação. Há que começar por algum lado e a esperança é que pouco a pouco comece a haver algum movimento.

Esta semana, Macau já não se assemelhou a uma “cidade-fantasma” porque “já houve trânsito, já houve muita gente nas ruas e algum movimento”, com “as empresas a retomar pouco a pouco”, mas as escolas vão estar fechadas até meados de Março.

Bruno Simões concordou, ainda, que a economia mundial também “adoeceu” com o coronavírus porque “se a China está bastante parada, é claro que o resto das economias do mundo se vão ressentir”.

Uma entrevista para ouvir na íntegra neste programa ECONOMIAS.

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