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Índia: 22 mortos e mais de 200 feridos em violência inter-religiosa

O noroeste de Nova Deli tem sido palco de violências inter-religiosoas nos últimos quatro dias.
O noroeste de Nova Deli tem sido palco de violências inter-religiosoas nos últimos quatro dias. SAJJAD HUSSAIN / AFP

Pelo menos 22 mortos e mais de 200 feridos, na sua maioria por balas, em Nova Deli nos últimos quatro dias em confrontos inter-religiosos opondo muçulmanos e hindus, com em pano de fundo a polémica lei sobre a nacionalidade, indica o balanço publicado esta quarta-feira, pelo principal hospital da capital.

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 As ruas de Nova Deli estão calmas esta quarta-feira (26/02), depois das autoridades terem aconselhado a população a barricadar-se em casa e despoletado um forte dispositivo policial e militar anti-motim.

Desde domingo que se registaram cenas de extrema violência inter-religiosa, opondo muçulmanos e hindus, em protesto contra a polémica lei que facilita a atribuição da nacionalidade indiana a refugiados, excluindo os de religão muçulmana.

Lojas incendidadas, uma bandeira hindu representando um Deus macaco içada numa mesquita, alcorões queimados, manifestantes armados de pedras, paus, tubos, sabres e por vezes pistolas, semearam o caos, terror e vandalismo durante quatro dias, em vários bairros populares e de maioria muçulmana situados a cerca de uma dezena de quilómetros a nordeste do centro da capital e magalópole de Nova Deli.

Segundo a imprensa indiana grupos armados hindus atacaram locais e pessoas identificadas com a religião muçulmana e a polícia ripostou com gazes lacrimogéneos e granadas de fumo.

Desde dezembro que este tipo de tumultos tem ocorrido em várias cidades da Índia e o primeiro-ministro ultra nacionalista hindu Narendra Modi, que até hoje não se tinha pronunciado, lançou esta quarta-feira (26/02) através do tweeter um apelo à calma recordando que "a paz e a harmonia estão no cerne da nossa filosofia".

Esta controversa lei sobre a nacionalidade é considerada discriminatória, pois marginalisa ainda mais a minoria muçulmana, mas também a católica, cujos fiéis passam a ser considerados cidadãos de segunda, num  país onde os hindus representam 80% da população.

No vizinho Paquistão o primeiro ministro Imran Khan afirmou esta quarta-feira (26/02) que "quando uma ideologia racista baseada no ódio toma o poder, isso conduz a um banho de sangue" e acrescenteu "as nossas minorias são cidadãos iguais no noso país" numa advertência contra eventuais represálias sobre a minoria hindu residente no Paquistão.


 

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