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Idlib: brusca escalada entre Sírios e Turcos

Migrantes deixam Pazarkule, na Turquia, e caminham rumo ao posto fronteiriço de Kastanies, na Grécia. 28/02/2020.
Migrantes deixam Pazarkule, na Turquia, e caminham rumo ao posto fronteiriço de Kastanies, na Grécia. 28/02/2020. REUTERS/Huseyin Aldemir

A Turquia exigiu nesta Sexta-feira a aplicação imediata pela Rússia de um cessar-fogo em Idlib, região do noroeste da Síria onde 33 soldados turcos foram mortos ontem num ataque aéreo das forças de Damasco com o apoio de Moscovo, as forças turcas tendo ripostado matando 20 combatentes sírios, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos.

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Desde Dezembro, as forças sírias juntamente com os seus aliados russos têm avançado rumo a Idlib, bastião ainda nas mãos de insurrectos e jihadistas apoiados por Ancara. Apesar da resistência dos turcos nesta zona onde pretendem instalar os milhares de refugiados que tem recebido no seu território, as tropas de Bachar el Assad conseguiram retomar o controlo de cerca de 20 localidades nessa região, refere ainda o Observatório Sírio dos Direitos Humanos.

Uma aliança posta à prova

Esta ofensiva tem posto à prova a aliança patente desde 2016 entre a Turquia e a Rússia em domínios como a energia ou a defesa, ao ponto que hoje a Rússia anunciou o envio de dois navios de guerra para o mar Mediterrâneo.

Moscovo acusa Ancara de apoiar indistintamente grupos rebeldes e jihadistas em Idlib, apesar de a Turquia se ter comprometido em 2018 em Sotchi a deixar de auxiliar logisticamente grupos considerados “terroristas” pelos russos.

Foi neste contexto que, em conversa telefónica, o Presidente turco e o seu homólogo russo expressaram “sérias preocupações” e evocaram a possibilidade de organizar uma cimeira sobre a situação de Idlib, o Kremlin acabando por confirmar um encontro possivelmente no dia 5 ou 6 de Março.

Comunidade internacional preocupada

Também preocupada está a ONU que hoje apelou a um cessar-fogo imediato, a União europeia tendo por seu lado expressado o receio de um “risco de confronto militar internacional de grande dimensão” na Síria, um risco perante o qual o Conselho de Segurança das Nações Unidas agendou ainda para hoje uma reunião de urgência.

Reunida, já esteve entretanto a NATO, a pedido da Turquia que pretende obter o apoio dos seus aliados neste contencioso. O apoio contudo limitou-se até agora à expressão da sua solidariedade. Tanto Londres, como Paris, a Alemanha ou ainda os Estados Unidos condenaram a ofensiva sírio-russa e apelaram ao fim imediato das violências, mas não assumiram nenhum compromisso.

Ancara ameaça abrir o caminho dos refugiados e migrantes para a UE

Perante esta situação, como já vem sendo hábito quando pretende exercer pressões sobre os seus parceiros europeus, a Turquia declarou hoje que iria deixar de bloquear o caminho rumo à Europa aos cerca de 4 milhões de migrantes e refugiados, na sua maioria sírios, que acolhe no seu território. Em virtude de um acordo assinado em 2016, Ancara comprometeu-se a gerir os fluxos migratórios da União Europeia a troco de mais de 3 mil milhões de Euros.

Em reacção, Bruxelas apelou a Turquia a “respeitar os seus compromissos” e, desde já, a Grécia e a Bulgária, vizinhas daquele país, fecharam as suas fronteiras e reforçaram os seus efectivos de segurança no terreno.

Desde Dezembro, o Observatório Sírio dos Direitos do Homem contabilizou mais de 400 civis mortos devido ao conflito entre a Turquia e a Síria na zona de Idlib, a ONU dando igualmente conta da situação dramática dos mais de 900 mil deslocados provocados pelas violências nesta região.

Desencadeada em 2011, a guerra na Síria causou mais de 380 mil mortos.
 

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