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Música Berbere/Cabília

Morreu em Paris com 70 anos Idir, ícone da música berbere e da cultura cabila

Músico berbere Idir faleceu a 2 de Maio em Paris com 70 anos de idade, vítima de uma infecção pulmonar. Fotografia tirada em concerto na sala do Grand Rex, em Paris em 2017.
Músico berbere Idir faleceu a 2 de Maio em Paris com 70 anos de idade, vítima de uma infecção pulmonar. Fotografia tirada em concerto na sala do Grand Rex, em Paris em 2017. RFI/Edmond Sadaka

Faleceu este sábado à noite em Paris, onde residia, o autor, compositor e intérprete Idir, um dos principais representantes da música berbere e da cultura cabíla, tinha 70 anos e morreu de uma infecção pulmonar, não especificda.

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Idir, cujo verdadeiro nome era Hamid Cheriet, filho de em pastor , nasceu a 5 de Outubro de 1949 em Aït Lahcène, perto de Tizi Ouzou, capital da região da Grande Cabília.

Conhecido como o embaixador da música cabila e da sua língua berbere, às quais deu uma projecção internacional, era um apaixonado pela mistura de culturas e faleceu este sábado (2/05) à noite em Paris, com 70 anos, vítima de uma infecção pulmonar não especificada.

Em 1973 ele estudava geologia e imaginva integrar a indústria petrolífera, mas a sua vida mudou radicalmente, quando na Rádio Argel, por mero acaso teve que substituir a cantora Nouara, impedida decantar em língua berbere a canção de embalar "Rsed A Yidess" que ele tinha escrito para ela.

Na outra face do 45 rotações figura a balada "Vava Inouva", um sucesso difundido em 77 países e traduzido em 15 línguas...enquanto ele estava na tropa !

Impregnado desde criança pelas melopeias berberes da sua mãe e avó, que ritmavam a vida quotidiana e findo o serviço militar, Idir veio para Paris em 1975, chamado pela editora Pathé Marconi e gravou o seu primeiro ábum, igualmente intitulado "Vava Inouva", que só saiu em 1976.

Em seguida desapareceu dos palcos entre 1981 e 1991, mas a partir de então a sua carreira foi relançada, com ao todo 7 albuns.

Em 1999 gravou o álbum "Identités", no qual cantou com músicos como Manu Chao, Dan Az Braz, Maxime Le Forestier, a Orquestra Nacional de Barbés, Gnawa Diffusion, Zebda, Gilles Servat, Geoffrey Oryema, Tiken Jah Fakoly

Maxime le Forestier, prestou-lhe aliás homenagem este domingo (3/05) nas antenas da RFI, chamando-lhe "o príncipe da canção cabile".

Em 2007, publicou o álbum "La France des couleurs" em plena campanha para a eleição presidencial em França, marcada por acesos debates sobre a imigração e a identidade.

Em 2018 e após 38 anos de ausência, voltou a cantar em Argel durante a cerimónia do Ano Novo berbere ou Yennayer.

Homenagens a Idir

São inúmeras este domingo (3/05) as homenagens ao talentuoso músico, incluindo a do Presidente argelino Abdelmadjid Tebboune que  num tweet escreveu "soube com imensa tristeza da morte de Idir, um ícone da arte argelina".

Também o presidente da Assembleia Popular Departamental de Tizi Ouzou, região natal de Idir, saudou um cantor que "continuará a iluminar o céu artístico argelino...com a sua música e letras belas".

Por sua vez a edil de Paris, Anne Hidalgo, também prestou homenagem a Idir, ressalvando o "seu compromisso humanista e empenho na salvaguarda da cultura cabila permacerão nas nossas memórias, a sua voz magnífica soará durante muito tempo na Câmara Muncipal de Paris, onde frequentemente celebramos juntos o Ano Novo berbere".

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