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Argélia/Protestos

Argélia: manifestação celebra 1 ano do movimento que derrubou ex-presidente

Alger: manifestação de 22 de março de 2019.
Alger: manifestação de 22 de março de 2019. AFP
Texto por: RFI
3 min

Há um ano, os argelinos decidiram sair massivamente às ruas, com uma primeira manifestação sem precedentes, que deu origem ao movimento Hirak. Um ano depois, os manifestantes ainda estão lá, mesmo que o Hirak não tenha sido formalmente estruturado e não tenha definido um porta-voz reconhecido pelas autoridades. O desafio argelino falhou em implodir o sistema, mas algumas conquistas são inegáveis.

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A primeira exigência dos manifestantes foi a saída do agora ex-presidente Abdelaziz Bouteflika, forçado a renunciar dada a amplitude do movimento social. Naquele momento, talvez, eles obtiveram a sua maior vitória. O ex-presidente renunciou, levando consigo o conceito de presidência vitalícia, implementado desde a independência do país.

Desde então, os manifestantes se tornaram verdadeiros ativistas. O país vive em um turbilhão permanente. O poder foi forçado a uma transição mais longa do que desejava, mas ainda não passou por uma reforma de longo alcance.

O status quo continua a favor de alguns caciques, enquanto outros, anteriormente considerados intocáveis, foram banidos ou presos, rendendo louros ao movimento popular. Cabeças caíram simbolicamente, um fato não menos importante, já que o próprio irmão de Abdelaziz Bouteflika hoje em dia se encontra preso.

O novo presidente eleito, Abdelmadjid Tebboune, também é um produto do sistema que as ruas não querem mais. Embora tenha feito gestos de abertura, como dar entrevistas à imprensa várias vezes, ele reluta em deixar o passado de lado. O confronto está longe de terminar. Os próximos meses serão decisivos para determinar quem entre o movimento Hirak, ou o sistema em vigor, mostrará sinais de desânimo.

A conquista do espaço público

Mas há outra vitória da qual o Hirak pode se vangloriar um ano após o seu nascimento: a de ter permitido que os argelinos retomassem a posse parcial do espaço público, observa a correspondente da RFI em Argel, Leïla Beratto.

Reunir-se aos milhares, dezenas de milhares, centenas de milhares nas ruas de todo o país, parecia impensável para os argelinos um ano atrás. Sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019, assim como as sextas-feiras seguintes, foram marcadas pelos maiores protestos desde a independência da Argélia.

Ao protestar durante todas as semanas por doze meses, os argelinos de todo o país permitiram o que parecia impensável um ano antes: estarem juntos nas ruas para um protesto político contínuo.

Mesmo que o estado de emergência tenha sido extinto, as restrições impostas pelos serviços de segurança eram muito fortes para permitir qualquer assembleia.

Agora, a tolerância das autoridades aos protestos é expressa principalmente nas sexta-feiras. As prisões ainda são frequentes e as forças de segurança tentam toda semana limitar o acesso à capital. Nas províncias, o que os argelinos observam em várias regiões do país é que autoridades e administrações não querem ser apontadas pelos manifestantes, não querem "barulho negativo".

A escala da mobilização e o fato de ela continuar durante um ano fizeram dos argelinos uma espécie de contra-poder, ou, pelo menos, de um elemento que pesa no equilíbrio das escolhas políticas. Marchando pelas ruas, os argelinos foram ouvidos.

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