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França vai extraditar acusado por genocídio de Ruanda capturado nos arredores de Paris

Aos 84 anos, Felicien Kabuga, um dos suspeitos de ter comandando o genocídio em Ruanda de 1994, vai ser transferido para ser julgado na Tanzânia.
Aos 84 anos, Felicien Kabuga, um dos suspeitos de ter comandando o genocídio em Ruanda de 1994, vai ser transferido para ser julgado na Tanzânia. AFP
Texto por: RFI
3 min

A justiça francesa decidiu nesta quarta-feira (30) transferir Félicien Kabuga, conhecido como o tesoureiro do genocídio de Ruanda, para a Tanzânia, onde será julgado por crimes contra a humanidade. Após 25 anos como um dos foragidos mais procurados do mundo, Kabuga foi preso em maio em uma cidade nos arredores de Paris usando uma identidade falsa.

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Félicien Kabuga tem 84 anos e é acusado de ter participado na criação das milícias hutu Interahamwe, principais braços armados do genocídio de 1994 que provocaram 800 mil mortes, essencialmente entre a população da minoria tutsi, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas). Ele também é suspeito de ter contribuído com sua fortuna para proporcionar armas aos milicianos hutus.

A defesa de Kabuga havia apresentado um recurso, rejeitado pelo Tribunal de Cassação da França, contra sua transferência a Arusha, na Tanzânia, sede do tribunal da ONU que deve julgá-lo por genocídio e crimes contra a humanidade.

Tesoureiro de um massacre

Em 1994, Félicien Kabuga fazia parte do círculo próximo ao presidente ruandês, Juvénal Habyarimana. Uma das filhas de Kabuga era casada com um filho de Habyarimana. O assassinato do presidente, em 6 de abril de 1994, foi o ponto de partida para o genocídio.

No período, Kabuga presidia a Rádio Televisão Free Thousand Hills (RTLM), que transmitia convocações para assassinar os tutsis, e o Fundo de Defesa Nacional, que coletava "fundos" para financiar a logística e as armas dos milicianos hutus. 

Em maio, Kabuga foi preso na região de Paris. Ele residia em um apartamento de Asnières-sur-Seine, onde vivia sob identidade falsa. 

Após a decisão do Tribunal de Apelação de Paris, a França tem um mês para transferir Kabuga para Arusha na Tanzânia, sede do tribunal da ONU que deve julgá-lo por genocídio e crimes contra a humanidade.

Félicien Kabuga contesta as acusações. "Tudo isso são mentiras. Ajudei os tutsis em tudo que fiz, no meu negócio, dei dinheiro a eles. Não ia matar meus clientes", declarou Kabuga, no idioma kiñaruanda, em audiência ocorrida em 27 de maio.

Com informações da AFP

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