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Protestos e novas detenções marcam 45 anos da independência em Angola

Imagem de arquivo. Luanda, 3 de Outubro de 2020.
Imagem de arquivo. Luanda, 3 de Outubro de 2020. AFP - OSVALDO SILVA
Texto por: RFI
4 min

Cerca de 400 pessoas ainda estavam desaparecidas após a dispersão forçada de uma manifestação antigovernamental em Angola no sábado (7). A informação vem dos organizadores de um protesto realizado nesta quarta-feira (11), dia em que se comemora os 45 anos da independência do país. A polícia angolana admite 100 detenções. Os protestos exigem melhores condições de vida e uma data para as primeiras eleições locais.

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A polícia angolana tenta impedir manifestações em Luanda e gás lacrimogêneo foi usado. Houve confrontos entre as autoridades e os jovens que tentavam protestar.

Há relatos de feridos, incluindo o ativista Nito Alves, um dos membros do grupo de jovens revolucionários conhecido como 15+2, preso e julgado em 2017. Há também testemunhos da prisão de vários manifestantes. "A polícia agiu muito mal. Da nossa parte, não houve violência", disse Nito Alves à RFI. 

A ativista Luaty Beirão foi presa pela polícia quando transmitia ao vivo, pelo Facebook, a caminhada para uma das manifestações na capital. A agência Lusa informou que o correspondente da Reuters em Angola, Lee Bogotá, foi agredido pela polícia e viu o seu material de trabalho destruído.

Veríssimo Miranda foi um dos manifestantes que saiu às ruas nos protestos em Luanda e disse à agência Lusa que o país "não está bem". "Angola precisa viver uma igualdade social, precisa acabar com essa burocracia que existe no país. Angola não vive independência, Angola vive represália", denunciou.

Ainda de acordo com a Lusa, o porta-voz do comando provincial da Polícia Nacional, Nestor Goubel, não confirmou a existência de detidos, prometendo para mais tarde um pronunciamento das autoridades e falando em “desrespeito total da data da independência".

Série de protestos e prisões arbitrárias

Dezenas de angolanos, presos durante uma manifestação antigovernamental no final de outubro, foram libertados na noite de domingo (3), após oito dias de detenção, segundo seus advogados. Centenas de pessoas, apoiadas pelo principal partido da oposição, a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), manifestaram-se no dia 24 de outubro em Luanda para denunciar as condições de vida no país e exigir uma nova data para as eleições locais, adiadas devido à pandemia de Covid-19.

Mais de cem deles foram presos, de acordo com as autoridades, incluindo seis jornalistas libertados após alguns dias, sem serem processados. Segundo associações de direitos humanos, este número poderia ser muito maior. "No final, quase 500 pessoas, incluindo manifestantes, foram [relatadas] desaparecidas", disseram organizações da sociedade civil angolanas em um comunicado conjunto nesta quarta-feira (11).

A justiça angolana afirma ter ouvido longamente os manifestantes detidos, antes de os libertar no domingo. Entre eles, 71 foram condenados a um mês de prisão comutada para uma multa de cerca de € 60 por "desobediência civil", disse Zola Bambi, do Observatório de Coesão Social e Justiça, um grupo de defesa dos direitos dos manifestantes. Os outros foram absolvidos.

A organização de advogados Mãos Livres pediu a anulação das condenações. A polícia, dado o contexto daquele dia, não é "capaz de especificar" quem cometeu tal e tal crime, disse seu porta-voz, Salvador Freire, após o julgamento.

Os manifestantes foram processados ​​por agressão e danos materiais. Alguns bloquearam avenidas com troncos de árvores, queimaram pneus, atiraram pedras na tropa de choque, que respondeu com gás lacrimogêneo e espancamentos.

Os protestos se tornaram mais frequentes desde a eleição do presidente João Lourenço em 2017, o que gerou esperanças de mudança após quatro décadas de corrupção e nepotismo. A desilusão cresceu nos últimos meses e protestos voltaram a denunciar a corrupção do Estado, o desemprego e a violência policial.

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