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Premiê da Etiópia dispensa mediação da União Africana para conflito no Tigré

Campo de refugiados de Umm Rakouba em Qadarif, no leste do Sudão, quarta-feira, 25 de novembro de 2020. Centenas de etíopes se refugiaram no país vizinho, devido ao conflito na região do Tigré.
Campo de refugiados de Umm Rakouba em Qadarif, no leste do Sudão, quarta-feira, 25 de novembro de 2020. Centenas de etíopes se refugiaram no país vizinho, devido ao conflito na região do Tigré. AP - Nariman El-Mofty
Texto por: RFI
4 min

O primeiro-ministro etíope, Abjy Ahmed, se encontrou nesta sexta-feira (27), em Addis Abeba, com enviados especiais encarregados pela União Africana (UA) da mediação do conflito na região do Tigré, no dia seguinte do lançamento anunciado da ofensiva final contra Mekele, capital da região dissidente no norte do país.

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Abjy Ahmed ordenou na quinta-feira (26) ao Exército de lançar a “última fase” da operação militar desencadeada em 4 de novembro, contra a Frente de Liberação do Povo do Tigré (TPLF), partido que dirige a região e cujos dirigentes estão entrincheirados em Mekele. A cidade está cercada pelas forças federais.

A comunidade internacional, preocupada com as consequências de um possível ataque a Mekele para seus 500.000 habitantes, tenta pressionar o primeiro-ministro etíope. Mas Ahmed rejeitou toda “interferência nos assuntos internos” de seu país.

Entre as iniciativas, a UA nomeou três enviados especiais: o ex-presidente de Moçambique, Joaquim Chissano, a ex-presidente da Libéria, Ellen Johnson-Sirleaf, e o ex-presidente sul-africano Kgalema Motlanthe. Eles chegaram na quarta-feira (25) na capital da Etiópia.

O governo etíope se comprometeu a encontrá-los “por respeito”, mas recusou a oferta de mediação, como fez com todas as precedentes.

Ahmed expressou em um comunicado nesta sexta-feira sua "gratidão” ao chefe de Estado sul-africano, Cyril Ramaphosa, que preside atualmente a UA, e aos enviados especiais, por seu compromisso em “propor soluções africanas aos problemas africanos”.

Mas ele também lembrou que seu governo tinha “a responsabilidade constitucional de manter a ordem (no Tigré) e em todo o país”, destacando a paciência que sempre demonstrou diante das “provocações” e da “agenda de desestabilização” do TPLF.  

Paralelamente, o ministro etíope de Assuntos Exteriores, Demeke Melonnen, continua ao giro diplomático que começou há aproximadamente dez dias para defender a posição do governo. Ele encontrou o chanceler francês, Jean Yves Le Drian, em Paris, que condenou, em um comunicado, as violências de caráter étnico e reiterou o pedido de aplicação rápida de medidas de proteção das populações civis. Ele também expressou o apoio da França à iniciativa da UA.

Ofensiva

Nesta sexta-feira, 24 horas após a ordem dada ao Exército, não era possível saber se a ofensiva contra Mekele tinha efetivamente começado. O Tigré está quase totalmente incomunicável, desde o começo do conflito.

Nenhum balanço preciso dos combates na região foi disponibilizado até agora, mas centenas de pessoas teriam perdidos suas vidas, e mais de 40.000 etíopes se refugiaram no país vizinho, o Sudão do Sul, para fugir da violência.

Na quinta-feira, a televisão oficial da Etiópia EBC afirmou que os dirigentes do TPLF estavam entrincheirados em diferentes zonas de Mekele, entre elas um cemitério, um museu e um auditório.

Movimento mais importante da luta armada contra o regime do governo militar provisório da Etiópia socialista (Derg), deposto em 1991, o TPLF controlou o aparelho político de segurança do país durante quase 30 anos. Progressivamente afastado do poder em Addis Abeba pelo atual primeiro-ministro, desde que chegou ao poder em 2018, o partido continua a dominar seu reduto no Tigré.

As tensões entre o premiê Ahmed e o TPLF aumentaram, culminando em setembro com a organização de uma eleição regional no Tigré considerada “ilegítima” por Addis Abeba. No início de novembro, ataques a duas bases do Exército federal – atribuídos pelo governo às forças rebeldes – agravaram a situação. Os ataques são desmentidos pelo grupo.  

(Com informações da AFP)   

 

 

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