Ajuda militar para combater jihadistas em Moçambique se desenha com apoio de Portugal e EUA

Há quase três anos, aldeias do norte de Moçambique são atacadas por insurgentes armados que incendeiam as moradias já precárias dos moçambicanos, como neste vilarejo de Chitolo.
Há quase três anos, aldeias do norte de Moçambique são atacadas por insurgentes armados que incendeiam as moradias já precárias dos moçambicanos, como neste vilarejo de Chitolo. REUTERS - Mike Hutchings

O governo de Portugal irá enviar nas próximas semanas pelo menos 60 militares a Moçambique, após jihadistas do grupo Estado Islâmico tomarem o controle da cidade portuária de Palma, no nordeste do país, deixando dezenas de mortos e desaparecidos no último fim de semana. Os Estados Unidos também se mostram dispostos a cooperar com o governo moçambicano no combate aos extremistas. 

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Segundo o ministro das Relações Exteriores de Portugal, Augusto Santos Silva, os militares portugueses irão apoiar o Exército moçambicano no treinamento de forças especiais. Moçambique, ex-colônia portuguesa, conquistou a independência em 1975, mas o país africano ainda mantém laços fortes com Portugal. 

Na segunda-feira (29), os Estados Unidos condenaram o ataque em Palma e disseram estar determinados a cooperar com o governo de Maputo no combate aos extremistas.

Um porta-voz do Pentágono, John Kirby, disse que os ataques extremistas "dão o testemunho de uma total falta de respeito pelo bem-estar e a segurança da população local, que sofre terrivelmente com as táticas brutais e indiscriminadas dos terroristas". No entanto, o porta-voz não detalhou de que maneira os Estados Unidos poderão ajudar as autoridades moçambicanas a retomar o controle desta cidade portuária de 75.000 habitantes. 

Cerco à cidade

O cerco à Palma começou na quarta-feira passada (24) e foi seguido de um ataque massivo ocorrido na noite de domingo (28), que deixou dezenas de mortos e pelo menos uma centena de desaparecidos.

Os extremistas islâmicos se apossaram da cidade que fica a apenas dez quilômetros de um megaprojeto de extração de gás liderado pelo grupo francês Total.

As forças governamentais se retiraram; mesmo assim, os jihadistas anunciaram a morte de "dezenas de militares moçambicanos e cristãos", inclusive de outras nacionalidades, depois de visarem "quartéis militares e sedes do governo".

Testemunhas descrevem Palma como uma cidade fantasma, mas os confrontos esporádicos com jihadistas persistem, de acordo com um comunicado da ONU divulgado nesta terça-feira (30).

Muitos moradores que fugiram da onda de violência a bordo de pequenas canoas continuam desembarcando em Pemba, capital da província de Cabo Delgado, 300 km ao sul.

Além de Pemba, famílias também fugiram de Palma caminhando até a fronteira com a Tanzânia, que fica a cerca de 50 km ao norte do país, ou para acampamentos de deslocados internos. Sem recursos e exaustos, os sobreviventes chegam famintos e com os pés inchados. 

Há quase uma semana, quando é possível, sobreviventes vagueiam em Palma à procura de seus entes queridos, um carro ou um abrigo, segundo fontes humanitárias. 

A violência é a principal causa de uma grave crise humanitária em Moçambique, que poderia se agravar com mais de 670.000 pessoas obrigadas a abandonar suas casas, segundo a ONU.

Com informações de agências

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