Ferido em tiroteio, presidente do Chade morre depois de passar 30 anos no poder

O presidente do Chade, Idriss Deby Itno, comandou o país africano com mão de ferro durante 30 anos.
O presidente do Chade, Idriss Deby Itno, comandou o país africano com mão de ferro durante 30 anos. MARCO LONGARI AFP/File

O presidente do Chade, Idriss Déby Itno, no poder há 30 anos, morreu nesta terça-feira (20) em decorrência de ferimentos que sofreu no fim de semana, quando comandava uma operação do Exército no combate a rebeldes do norte do país. A informação foi divulgada pelo porta-voz da televisão estatal.

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“O presidente da República, chefe do Estado, chefe supremo das Forças Armadas, Idriss Déby Itno, acaba de dar o último suspiro, defendendo a integridade territorial no campo de batalha. É com profunda amargura que anunciamos ao povo chadiano a morte na terça-feira, 20 de abril de 2021, do marechal do Chade”, anunciou o porta-voz do Exército, general Azem Bermandoa Agouna, em um comunicado lido na TV Tchad.

Militar de carreira, Déby, que tinha 68 anos, tomou o poder no Chade em 1990, após um golpe de Estado. Ele foi promovido ao posto de marechal em agosto passado e tinha acabado de ser reeleito para um mandato de seis anos, com 79,32% dos votos, de acordo com os resultados provisórios anunciados na noite de segunda-feira (19) pelo órgão eleitoral nacional.

Ministros e oficiais de alto escalão afirmaram na segunda-feira que o chefe de Estado tinha visitado, no sábado (17) e domingo (18), a zona de combate onde soldados chadianos enfrentam rebeldes que lançaram uma ofensiva, em 11 de abril, a partir de bases na Líbia.

Em um comunicado, os insurgentes, membros da Frente pela Alternância e a Concórdia no Chade (Fact), que pode ser definida como uma frente de oposição armada ao regime no poder, disseram que o presidente havia sido ferido. Porém, não houve confirmação posterior de fontes oficiais. O comando do Exército chadiano declarou apenas que os militares tinham conseguido desmantelar a ofensiva rebelde.

Segundo o líder do Fact, Mahamat Mahadi Ali, Déby foi ferido no domingo no campo de batalha, localizado em uma área do centro-oeste do país. Ele afirma ter visto um helicóptero pousar no local para evacuar o presidente-chefe de guerra. Ferido, Déby foi transportado para a capital, Ndjanema, a 400 quilômetros de distância, para receber assistência médica. Ao mesmo tempo, blindados cercaram o palácio presidencial. Ele deveria ter feito um discurso para celebrar sua reeleição na noite de segunda-feira, mas não compareceu ao local onde estava previsto o pronunciamento.

Filho assume governo interino 

Após o anúncio da morte do presidente, as Forças Armadas comunicaram a dissolução da Assembleia e do governo. Também decretaram toque de recolher e fecharam as fronteiras do país.

Mahamat Kaka, filho do presidente morto, foi designado chefe de Estado interino por um período de 18 meses. Ele será assessorado por militares nesse período.

Aliado dos ocidentais

Idriss Déby era um dos mais antigos dirigentes no poder na África. Ele era considerado um aliado dos ocidentais na luta contra grupos extremistas islâmicos que atuam no centro e na região oeste do continente.

O Chade é um dos cinco países, ao lado de Mauritânia, Mali, Burkina Fasso e Níger, a compor o G5 Sahel, grupo formado em 2014 para combater ultrarradicais islâmicos do Boko Haram e afiliados da Al Qaeda e do Estado Islâmico, entre outras facções, atuantes nessa região. O G5S recebe apoio político, logístico e militar de Paris. 

Com a morte de Déby, a França perde seu principal aliado na luta contra o extremismo islâmico na África.

Com informações da AFP 

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