Autoridades da Nigéria confirmam sequestro de 136 estudantes em escola muçulmana

Escola muçulmana onde ocorreu o sequestro de 136 crianças
Escola muçulmana onde ocorreu o sequestro de 136 crianças AP - Mustapha Gimba

O número de estudantes sequestrados no domingo (31) em uma escola particular muçulmana Salihu Tanko, na Nigéria, foi confirmado pelo governo nesta quinta-feira (3), pelo Twitter.

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"O governo faz o que pode para assegurar o retorno seguro das crianças", diz o texto da mensagem, mas age com "prudência na perseguição dos bandidos para evitar maiores danos." As autoridades estaduais também pediram ajuda ao governo federal para "equipar melhor" suas forças de segurança e enfrentar os bandidos.

No momento do ataque, os sequestradores liberaram 11 crianças, muito pequenas para caminhar, relataram as autoridades, que denunciaram o aumento dos sequestros para pedir resgates no centro e no norte do país. O governador local, Sani Bello, ordenou às "forças de segurança que resgatem as crianças o mais rápido possível". O porta-voz da polícia, Wasiu Abiodun, afirmou que os criminosos chegaram de motocicleta, abriram fogo e mataram um morador do local - outro ficou ferido. Depois, sequestraram as crianças.

O novo sequestro aconteceu um dia depois da libertação de 14 estudantes no estado de Kaduna (norte). Eles passaram 40 dias em cativeiro. Cinco deles foram executados pelos criminosos para pressionar as famílias e obrigar o governo a pagar um resgate.

Citadas pela imprensa local, as famílias afirmaram que pagaram 180 milhões de nairas (US$ 435.000) para recuperar seus filhos. Os grupos armados aterrorizam a população do centro-oeste e do noroeste da Nigéria, com saques de vilarejos, roubo de gado e sequestros para pedir resgates.

Sequestros tiveram impacto mundial

Há vários meses, esses grupos executam sequestros em larga escala nos colégios. Desde dezembro de 2020, pelo menos 730 crianças e adolescentes foram capturados. Vários sequestros tiveram impacto mundial, especialmente em fevereiro passado, quando 279 meninas com idades entre 12 e 16 anos foram raptadas e soltas cinco dias depois no estado de Zamfara, noroeste da Nigéria.

A onda de sequestros começou em dezembro com a captura de 344 crianças em um colégio interno de Kankara, norte do país. As vítimas foram liberadas depois de uma semana, após negociações. O aumento dos sequestros provoca o temor de aumento da taxa de abandono escolar, sobretudo entre as mulheres, nas regiões pobres e rurais que já registram os maiores índices de crianças não escolarizadas do país.

Em resposta aos crimes, muitos estados decidiram fechar temporariamente colégios e internatos. Há décadas, a Nigéria sofre com sequestros, que tiveram homens ricos e influentes como seus primeiros e mais frequentes alvos. Nos últimos anos, porém, o problema afetou os mais pobres.

No início de maio, centenas de pessoas bloquearam uma rodovia nas proximidades de Abuja para protestar contra o aumento dos sequestros na capital federal. O principal objetivo dos criminosos é dinheiro, mas alguns grupos juraram lealdade a grupos extremistas do nordeste da Nigéria.

(Com informações da AFP)

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