Guerreiros zulus manifestam apoio a Zuma na véspera do vencimento do prazo de prisão

Guerreiros zulus caminham em direção à casa do ex-presidente sul-africano Jacob Zuma, a fim de manifestar apoio a ele contra uma condenação a 15 meses de prisão.
Guerreiros zulus caminham em direção à casa do ex-presidente sul-africano Jacob Zuma, a fim de manifestar apoio a ele contra uma condenação a 15 meses de prisão. REUTERS - ROGAN WARD

Centenas de simpatizantes do ex-presidente da África do Sul Jacob Zuma, condenado a 15 meses de prisão por desacato à Justiça, fizeram uma manifestação de apoio ao ex-dirigente neste sábado (3), em frente à sua propriedade rural, na localidade de Nkandla, na província de Kwazulu-Natal. 

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Guerreiros zulus, homens e mulheres vestidos com trajes tradicionais, participaram do ato, que se transformou em uma cerimônia de adoração ao ex-presidente de 79 anos. Os manifestantes diziam estar presentes por fidelidade a Zuma. "Quando ele estava no comando do país não havia problemas de eletricidade, nem confinamento nem Covid-19", afirmou um participante.

Zuma foi condenado a 15 meses de prisão na última terça-feira (29), depois de ter se negado a prestar depoimento para uma comissão de inquérito que apura suspeitas de corrupção durante seu mandato (2009-2018). A sentença determinou que o ex-presidente tem prazo para se entregar até o domingo (4), caso contrário a polícia irá detê-lo e levá-lo para a prisão, onde cumprirá sua pena em regime fechado. Esta decisão judicial firme foi acolhida no país como "histórica" e não está sujeita a recurso.

No entanto, na sexta-feira (2), Zuma pediu à Corte Constitucional que anule sua condenação. O tribunal marcou uma audiência em 12 de julho para analisar a solicitação. Desde que renunciou, em 2018, o ex-presidente sul-africano enfrenta várias acusações de fraude, corrupção e crime organizado. 

Na avaliação de Lawson Naidoo, especialista em direito constitucional, essa nova audiência não suspende automaticamente a condenação proferida pela juíza Sisi Khampepe. A menos que ocorra uma decisão contrária, o prazo para Zuma se entregar continua válido neste domingo. 

Casa foi reformada com dinheiro público

Temendo tensões, o partido governista Congresso Nacional Africano (ANC) enviou uma delegação à província de Kwazulu-Natal para pedir calma aos apoiadores do ex-presidente. A presença policial foi reforçada nos arredores da luxuosa propriedade onde Zuma vive desde que renunciou, sob a pressão das acusações de corrupção.

A construção típica, e ao mesmo tempo luxuosa, fica em uma área rural zulu e foi reformada durante o período em que ele governava o país pela bagatela de € 20 milhões, cerca de R$ 120 milhões. O custo das obras foi pago pelos contribuintes sul-africanos.

Familiares confirmaram que Zuma está em sua residência de Nkandla. Vários membros da sigla ANC estiveram no local nas últimas horas para conversar com o ex-chefe de Estado. 

Com informações da AFP

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