Suspeito de corrupção, ex-presidente da África do Sul se entrega e inicia pena de prisão

Veículo deixa casa de Jacob Zuma rumo ao Centro Correcional Estcourt, em sua província natal, Kwazulu-Natal.
Veículo deixa casa de Jacob Zuma rumo ao Centro Correcional Estcourt, em sua província natal, Kwazulu-Natal. AP

O suspense durou até os últimos minutos. O ex-presidente sul-africano Jacob Zuma se entregou na madrugada desta quinta-feira (8) à polícia para cumprir uma pena de 15 meses por desacato ao tribunal máximo do país. Ao se entregar, o ex-líder encerrou um impasse de dias, que manteve o país em alerta.

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Esta é a primeira vez que um ex-presidente é preso na África do Sul desde o fim do apartheid. Autoridades penais confirmaram que Zuma "foi admitido para começar a cumprir sua pena no Centro Correcional Estcourt", em sua província natal, Kwazulu-Natal. "O presidente Zuma decidiu cumprir a ordem de prisão", anunciou sua fundação no Twitter. “Não é uma confissão de culpa”, destacou seu porta-voz, Mzwanele Manyi.

Zuma, 79, foi condenado na semana passada pela Corte Constitucional, em decisão sem apelação, por se negar a prestar depoimento junto a investigadores anticorrupção. Horas antes de ele se entregar, a polícia avisou que estava preparada para prendê-lo ao término do prazo para que ele cumprisse a condenação, à meia-noite desta quarta-feira (7). Dudu Zuma-Sambudla, filha do ex-presidente, tuitou que o pai "segue de bom humor e disse esperar que ainda tenham seus macacões de Robben Island", onde ele ficou preso por 10 anos com Nelson Mandela na época do apartheid.

Manobras judiciais

Zuma montou uma defesa de última hora e se recusou a se entregar na noite de domingo (4). A polícia tinha três dias para prendê-lo.

Os advogados do ex-mandatário enviaram uma carta ao tribunal pedindo um adiamento de última hora, o que não aconteceu. O ex-presidente também solicitou à Corte Constitucional que reconsidere e revogue a ordem de prisão, petição que será analisada na próxima segunda-feira (12).

Escândalo de corrupção

Jacob Zuma é acusado de ter roubado dinheiro durante os nove anos em que esteve no poder, entre 2009 e 2018. Alvo de inúmeros escândalos, ele se viu obrigado a renunciar.

Desde a criação, em 2018, de uma comissão de investigação de corrupção de Estado, o ex-presidente – que já havia sido acusado por uma quarenta de testemunhas – fez de tudo para evitar de se explicar. Sua condenação gerou protestos nas redes sociais e alguns seguidores do carismático ex-líder do Congresso Nacional Africano (ANC) foram até sua casa para manifestarem seu apoio.

Com informações da AFP

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