Níger

Cheias sem precedente dizimaram gado no Níger

A maior enchente do rio Níger, desde 1929.
A maior enchente do rio Níger, desde 1929. AFP / Boureima HAMA

Enfraquecidos pela seca, dezenas de milhar de animais morreram no norte do Níger, na sequência das fortes chuvas verificadas em Julho e Agosto. Estas são as maiores enchentes do rio Níger, terceiro maior rio de África, desde 1929.

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Habitações destruídas, plantações de arroz completamente devastadas, as inundações estão a pôr duramente à prova uma população já afetada por uma grave crise alimentar.

De acordo com o Sistema Nigerino de Alerta Precoce e Gestão de Desastres (SAP), o país inteiro está a ser afetado pelas cheias. As zonas mais afetadas são as áreas de pastoreio do Sul, particularmente a zona de Ingal, a oeste de Agadez.

Mais de 100 mil cabeças de gado morreram depois das chuvas fortes, segundo números oficiais. O Diretor-Geral da Agricultura, cujos agentes estiveram no terreno, descreve a situação como dramática:
"Perante esta situação, há uma crise alimentar que se tem vindo a desenvolver, porque as pessoas vivem graças a estes animais.
Quando você tem uma vaca, ela dá-lhe leite, mas hoje, essa vaca não existe mais.
Por isso, pedi a alguns parceiros que a primeira coisa a fazer é fornecer um apoio alimentar."

A maioria dos animais morreu nos riachos e águas superficiais, que servem também de abastecimento às populações nómadas no período de Inverno, o que alarmou os serviços de saúde, como testemunhou o Diretor Regional Adjunto de Saúde Pública:
"Com animais mortos, a água tornou-se imprópria para consumo. Infelizmente, as pessoas continuaram a beber essa água. "

Produtos para tratamento de água foram enviados para o Níger, enquanto se esperam outros apoios de emergência.

Para além do Níger, as fortes chuvas dos ultimos meses também afetaram o Burkina Faso, o Mali e o Senegal, paises membros da UEMOA - União Económica e Monetária do Oeste Africano, que ja’ disponibilizou uma ajuda financeira a estes paises.

O nosso correspondente em Dacar, Cândido Camará, ouviu Rui Duarte Barros, comissário na área de administração e finanças da UEMOA.

Rui Duarte Barros, Comissário na área de Administração e Finanças da UEMOA

 

 

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