Moçambique/ Verbas

Moçambique anuncia verbas para desmobilizados de guerra

Monumento aos combatentes europeus e africanos a segunda guerra mundial, Maputo.
Monumento aos combatentes europeus e africanos a segunda guerra mundial, Maputo. Flickr

O governo moçambicano anunciou que vai disponibilizar verbas para as associações que prestam apoio aos desmobilizados de guerra, que reclamam aumentos das pensões. O montante ronda os quatro milhões de meticais, cerca de oitenta e cinco mil euros, pretende criar projetos de reinserção social e desenvolvimento de atividades de geração de rendimento.

Publicidade

O anúncio foi feito durante um encontro com representantes de treze associações dos combatentes do fórum dos desmobilizados de guerra. Hilário Massangaia, porta-voz do ministério dos combatentes de Moçambique, referiu que o financiamento aos combatentes deve começar já no início deste mês de setembro. O responsável pelo ministério dos combatentes acrescentou, ainda, que os quatro milhões de meticais são para este ano. Para beneficiarem desta quantia, as associações devem apresentar os projetos sustentáveis que passarão depois por uma avaliação das entidades competentes. Terminado este processo é efetuado a posteriori o financiamento desse mesmo projeto.

No entanto a proposta governamental, inédita, esta já a provocar varias reações. Armindo Felane, ex-combatente de guerra, mostrou-se satisfeito com o anúncio do governo e acrescentou que há muito que estavam a negociar com o governo e nunca tinha obtido qualquer resposta. Posição contrária defende o Fórum dos Desmobilizados de Guerra, liderado por Hermínio dos Santos, que critica o fato da verba ser distribuída pelas treze associações, quando o que os ex-combatentes pretendem é o aumento das suas pensões.

Descontentamento que os cerca de dezasseis mil desmobilizados de guerra querem trazer para a rua, para assim reivindicarem os seus direitos, ou seja, ao aumento das pensões.

Moçambique volta assim a estar ensombrada com os movimentos sociais. Manifestação que na semana passada trouxe para as ruas do país um movimento social sem rosto que se insurgiu contra o aumento do custo de vida. Recorde-se que destes confrontos, entre a polícia e a população, resultaram, segundo números oficiais, em dez mortos e cerca de quatro centenas de feridos.

Orfeu Lisboa, correspondente da RFI em Maputo

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.